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Bush e os imigrantes ilegais

A ansiedade por uma solução definitiva para sua condição legal de residência nos Estados Unidos, tem gerado consquências e estados de espírito os mais diversos entre os imigrantes indocumentados, ou “ilegais”.
Essa ansiedade e o cansaço pela longa espera por uma solução concreta, além dos discuros dos contra e favor, dos liberais ou radicais, simpáticos ou detratores, tem feito com que muitas vezes se deixe de prestar a devida atenção em certos momentos importantes desta luta.
Há duas semana, durante seu encontro com os jornalistas credenciados junto à Presidência norte-americana, george W. Bush, que vive um dos piores momentos em termos de popularidade e aprovação de seu governo, não teve receio de novamente defender de forma enfática uma legalização em massa para os indocumentados.
E foi mais longe:
Segundo Bush, seria inconcebível que alguém pense em simplesmente “despejar” 12 milhões de pessoas, que em sua esmagadora maioria são trabalhadores honestos e seus familiares, para fora do país.
O presidente norte-americano acredita que, se por um lado a sonhada Anistia ampla, geral e irrestrita será literalmente impossível de ser concedida, uma solução rápida e eficaz para legalizar cerca de 90% desse contigente, deve ser encontrada.
O que há de novidade ou importante nessa declaração em pelno “Valentine’s Day”?
Justamente o fato de que Bush reafirmou uma de suas teses – defendida desde janeiro de 2003 – a de que é impossível simplesmente deportar os indocumentados.
E o fez num momento em que qualquer declaração mais polêmica pode afundar ainda mais os seus já baixíssimo índices de aprovação.
O risco é grande e em se tratando do líder maior dos Republicanos, um Partido que, depois de décadas sendo o que mais beneficiou a causa imigratória, abriga hoje as alas mais radicais anti-imigrante, não foi nem de longe uma declaração “burocrática”.
O republicano Ronald Reagan, recentemente apontado numa pesquisa CNN/AOL como o “presidente mais admirado” da História dos Estados Unidos, o homem que liderou a queda do muro de Berlim e a massiva legalização de imigrantes nos Estados Unidos na década de 80, já não é mais, pelo menos na questão dos ilegais, o “exemplo a ser seguido” por importantes porções do Partido Republicano.
Entretanto, fiel a seus discursos desde o primeiro mandato, Bush tem reafirmando constantemente sua fé numa solução que normalize a vida de quase 4% da população atual dos Estados Unidos.
Bush acredita que a solução imigratória fará “um bem imenso” à vida dos Estados Unidos, liberando grande parte de nossos recursos humanos e financeiros hoje alocados para as patrulhas fronteiriças e fazer com que esses contigentes trabalhem num front muito mais estratégico, que seria a “luta contra a ameaça terrorista internacional”.
Os imigrantes ilegais estão num irritante, muitas vezes devastador, “compasso de espera”, levando suas vidas num estágio de tensão e forçada transitoriedade. Já se sabe por A + B que o “coração” desse processo, o Congresso norte-americano, está extremamente dividido quanto a qualquer decisão pró-indocumentados. Nem mesmo os mais rasos projetos visando um “programa de vistos temporários” tem tido chance de ir a votação.
Há uma considerável parcela dos parlamentares que deseja uma Anistia ampla e geral, mas não irrestrita. Estes seriam hoje cerca de 40% dos votos necessários a uma aprovação. No outro extremo desse “ringue” estão os opositores radicais a qualquer medida, que desejam desde a ereção de um muro separando os Estados Unidos do México e a expulsão sumária dos 12 milhões de indocumentados. Estes representariam atualmente 25 a 30% dos votos necessários à aprovação de medidas tão extremas.
Nenhum desses dois polos tem força para fazer com que suas teses sejam aprovadas. Para conseguí-lo precisam contar com o apoio dos 30 a 35% do “bloco do meio”.
Esse “bloco do meio” é composto basicamente por parlamentares republicanos e uma meia dúzia de democratas, que por razões políticas de base, defendem uma solução “meio-termo”, que de fato, não existe.
Nesse “imbroglio”, é o destino de milhões de trabalhadores e suas famílias, que permanece num limbo de indefinição e suspense.
Desde 2003 convivemos com a expectativa de que a solução para os ilegais viria como resultado iminente dos interesses econômicos e de segurança interna.
Foram muitos discursos, alguns projetos-de-lei, muita exploração oportunística e mentirosa por parte da mídia sensacionalista, incluindo aí o famoso Lou Dobbs, chefão do jornalismo na CNN, uma espécie de líder na causa anti-indocuimentados.
Talvez o Presidente Bush, ainda açodado pela recente vitória democrata nas eleições para Governador, Senadores e Deputados, tenha “resgatado” a questão imigratória para reabrir um canal importante e decisivo na arena das eleições presidenciais de 2008.
Talvez Bush, pressionado pela tremenda impopularidade da Guerra do Iraque, tenha “sacado” a questão imigratória unicamente para desviar a atenção do foco maior das atenções e insatisfações da população norte-americana.
Em qualquer das duas hipóteses, para os imigrantes ilegais residentes nos Estados Unidos, o posicionamento de Bush é positivo e demarca com clareza uma linha divisória dentro do cada vez mais polarizado e radicalizado Partido Republicano.
Que fiquem todos atentos ao que os potenciais candidatos do PR à sucessão de Bush irão falar a respeito do tema imigratório. É bem possível que o discurso “em cima do muro” seja substituído por uma defesa mais clara das teses já defendidas por Bush.
Os Republicanos já desconfiam ( e pesquisas internas revelam isso ) que até mesmo algumas alas da população americana, que são mais radicais anti-imigrantes, entendem que uma solução legalizatória é imperativa.
Seria um avanço considerável e Bush terá sido uma parte importantíssima nesse processo.

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