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Brasileiros 'roubam show' em mostra na Tate Modern

“Projeto Filtro”, de Hélio Oiticica, está entre destaques da mostra
Uma exposição no mais renomado templo da arte moderna londrino traz nomes como Andy Warhol, Bruce Nauman e Gerhard Richter, mas quem “rouba o show” são os brasileiros Hélio Oiticica, Lygia Clark e Cildo Meirelles.
É essa a opinião de Donna de Salvo, curadora da mostra Open Systems, que está sendo inaugurada nesta quarta-feira no museu Tate Modern, de Londres.

“Para muitos que nunca viram essas obras antes antes, os brasileiros irão roubar o show. Não costumamos ter a chance de ver esses trabalhos nem na Grã-Bretanha nem nos Estados Unidos. Mas isso está mudando. Cada vez recebemos mais obras de brasileiros e argentinos”, diz De Salvo à BBC Brasil.

A curadora afirma ter escolhido os três artistas cariocas porque eles exploram a singularidade da cultura brasileira sem abrir mão de influências estrangeiras. “Eles foram muito influenciados pelo construtivismo russo, mas isso não impediu que tentassem criar um novo estilo de arte.”

Clique aqui para ver as obras da exposição

A Open Systems se centra justamente em um período, as décadas de 60 e 70, em que artistas de países diversos buscaram criar novos modelos artísticos.

Multimídia

“A mostra surgiu de um desejo de entender um período que não pode ser facilmente compreendido. Um momento que mudou a face da arte contemporânea. Uma época em que escolher entre ser fotógrafo, escultor ou cineasta não era mais uma escolha necessária. Usava-se qualquer mídia para se expressar uma idéia”, descreve a curadora.

A exposição apresenta obras de 30 artistas vindos de países tão distintos como Estados Unidos, Rússia, Iugoslávia, Grã-Bretanha, Alemanha e, naturalmente, Brasil.

Donnna de Salvo nota que há um diálogo entre as obras desses artistas, a despeito da separação geográfica e de eles terem formações díspares.

Curadora vê ligação entre obra de Robert Smithson (foto) e Hélio Oiticica

“É possível ver uma conexão entre o trabalho do americano Robert Smithson e o de Hélio Oiticica. Apesar de Oiticica destacar a singularidade da cultura brasileira, ele estava conectado com o que ocorria no mundo.”

As obras dos dois artistas procuram subverter a noção de espaço.

Smithson participa da mostra com uma construção espelhada intitulada Vortex 1967, que induz o visitante a ver seu reflexo e o das peças à sua volta.

A principal obra de Oiticica na exposição é Projeto Filtro – para Vergara NY 1972, um labirinto com paredes e portais transparentes feitos de filtros coloridos de plástico, que visa mudar a percepção do espaço.

É possível ver também conexões entre as obras lúdicas de Lygia Clark e Cildo Meirelles e a produção de nomes menos conhecidos, como o holandês Bas Jan Ader e a americana Martha Rosler.

As peças escolhidas de Lygia Clark são os chamados Objetos Sensoriais. Durante a exibição da mostra para a imprensa, a curadora chegou a fazer uma demonstração prática – e bem-humorada – dos óculos concebidos por Lygia para serem usados apenas em dupla.

As obras de Cildo Meirelles, intituladas Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola e ainda Projeto Cédula, são, respectivamente, reproduções de garrafas de Coca-Cola e de cédulas de cruzeiros e reais, contendo inscrições como “Quem Matou Herzog?” e “Yankees Go Home”.

Meirelles visitou a exposição e comentou que a particularidade da produção brasileira nesse período se deve a dois fatores:

“Era uma espécie de geometria feita com o coração, por mais paradoxal que isso pareça. É essa a explicação para a forte presença de interatividade e do uso do corpo nessas obras. O segundo diferencial é o aspecto político. A produção que se desenvolveu a partir dos anos 60 não poderia ficar à margem do momento muito impactante que vivíamos”, opina o artista.

Quanto à referência de que os artistas brasileiros roubam o show na Tate Modern, Cildo Meirelles brinca: “Acho que é a nossa fama. Não é o hábito”.

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Gazeta Admininstrator
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