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Brasileiros denunciam trabalho escravo em igreja dos EUA

Membros denunciaram abusos na igreja. Foto: pixabay.

Ex-membros brasileiros de igrejas que vieram para os Estados Unidos para atuar em grupos religiosos foram obrigados a trabalhar além do período e em outras atividades que não eram as combinadas sob ameaças e espancamentos se não as fizessem, além de terem o dinheiro e o passaporte confiscados pelos líderes das igrejas.

O brasileiro André Oliveira deixou a congregação da igreja “Palavra de Fé” (Word of Faith Fellowship) no Brasil e se mudou para a Carolina do Norte aos 18 anos de idade, a convite dos pastores da mesma igreja, mas, tão logo chegou, teve seu passaporte e dinheiro confiscados pelos líderes da igreja – “por segurança”, lhe foi dito.

Oliveira relatou que era forçado a trabalhar 15 horas por dia, primeiro em depósitos da igreja evangélica e depois em negócios pertencentes aos ministros seniores da seita. Qualquer violação das regras era motivo para serem espancados pelos próprios líderes da igreja.

Dos que conseguiram fugir, muitas mulheres trabalhavam como babás e nas escolas da igreja, enquanto os homens trabalhavam com reforma e construção em propriedades alugadas por ministro da igreja.

Uma investigação feita pela Associated Press descobriu que a congregação “Palavra de Fé” usava a igreja no Brasil para assim trazer jovens trabalhadores que entram no país com vistos de turistas e são levados para Spindale, uma área rural em NC.

Como a maioria dos jovens brasileiros geralmente falavam pouco inglês quando chegavam, muitos tiveram seus passaportes apreendidos. “Eles nos mantiveram como escravos. Como você pode fazer isso com as pessoas – afirmar que você os ama e depois vencê-los em nome de Deus?” disse Oliveira à AP.

Muitos eram forçados sob ameaça de serem denunciados às autoridades porque estavam como turistas e, como a lei dos EUA não permite que visitantes com vistos de turista possam trabalhar remunerado, eles abusavam. Os que tinham vistos de estudantes também trabalhavam além do permitido, em circunstâncias que não foram atendidas no Word of Faith Fellowship.

Pelo menos 16 ex-membros conseguiram fugir da igreja no ano passado, e relataram que eram obrigados a trabalhar enquanto sofriam agressões físicas ou verbais.

Um ex-congregante americano, Jay Plummer, supervisionou os projetos de negócio para o líder de uma igreja e confirmou que os trabalhadores americanos que também trabalhavam na igreja eram pagos, enquanto os brasileiros não.

As revelações do trabalho forçado são as mais recentes de uma investigação recente feita pela AP que expõe décadas de abuso na Congregação Palavra de Fé. Com base em entrevistas exclusivas com 43 ex-membros, documentos e gravações secretas, o AP informou em fevereiro que os congregados foram periodicamente torturados em rituais para “purificar” os pecadores e espantar os “demônios”.

A investigação descobriu também que as congregações envolvidas eram ordenadas pelos líderes da igreja a mentir às autoridades sobre os relatórios de abuso.

Sob a liderança da americana Jane Whaley, a igreja foi crescendo e passou a ter cerca de 750 fiéis na Carolina do Norte, além de 2 mil membros em suas igrejas no Brasil e Gana e ramificações na Suécia, na Escócia e em outros países.

Os entrevistados afirmaram que Whaley e outros líderes viajam várias vezes por ano para as filiais brasileiras, nas cidades de São Joaquim de Bicas, em Minas Gerais, e Franco da Rocha, em São Paulo, com a promessa de melhorar a vida dos fiéis que fossem para servir a Deus e à igreja nos Estados Unidos. Eram comuns as promessas também dos jovens poderem estudar e conhecer os Estados Unidos.

O trabalho para a igreja era dito como “voluntário” pelos líderes. A igreja também fazia casamentos “arranjados” entre os próprios membros brasileiros com americanas para obtenção do green card e proibiam relacionamentos com pessoas que não fizessem parte da igreja.

Com informações do ABC News.

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