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Brasileiros caem em “scam” de sites de relacionamentos

A brasileira Verônica (nome fictício) conheceu homens que pediram dinheiro online.

Namoros pela internet antes pareciam coisa do outro mundo, mas hoje em dia estão se tornando cada vez mais comuns. Independentemente da idade, nacionalidade ou sexo, existem inúmeros sites conectando pessoas com os mesmos interesses, sejam estes religião ou pessoas ricas. Infelizmente, algumas pessoas se aproveitam da vulnerabilidade de outras para tirarem proveito da situação.

Em um caso recente, uma viúva usou todas as suas economias com um homem que se passava por um veterano de guerra do Iraque. Entre os imigrantes brasileiros, um caso de promessa de Green Card levou uma brasileira à desilusão, e outras promessas simples, como casamento, fez com que outra brasileira enviasse dinheiro a um desconhecido, que depois desapareceu.

Verônica

Verônica entrou em um site de relacionamento para preencher seu tempo. Sozinha, vivendo nos Estados Unidos há anos, a brasileira pensou em encontrar um companheiro para se divertir e, quem sabe, se casar um dia, como tantos casos que ela ouviu. Depois de conversar por meses com um homem, de trocar confidências e informações sobre sua personalidade, ele pediu dinheiro a Verônica.

“Eu não cai, pois não dou dinheiro nem a quem mora comigo, quanto mais a alguém que eu nunca vi ao vivo”, conta Verônica, de 60 anos, que preferiu usar na matéria o mesmo nome fictício que usou no site.

No entanto, ela conta que outras amigas suas foram mais longe, e uma delas chegou a pegar $1500 dólares emprestados para enviar a uma pessoa que conheceu online.

A psicóloga brasileira Karina Lapa conta que os relacionamentos online fazem parte do dia-a-dia no consultório. Ao mesmo tempo em que ouve muitas histórias boas, Lapa conta que as desilusões são constantes.

“Quando a pessoa entra em um relacionamento online ela fica exposta e, de certa forma, vulnerável”, diz a psicóloga. “Tem gente que se separa, não tem uma vida social, e acha que a única forma de encontrar alguém é online. Mas isso não é verdade. Hoje em dia estamos mais conectados do que nunca, mas ao mesmo tempo, nunca estivemos mais isolados”.
Verônica conta que a primeira vez que alguém tentou pedir-lhe dinheiro foi em um site chamado “Amor em Cristo”. Ela conheceu um homem online e ele dizia viver na Inglaterra, mas ser de Miami. Eles conversaram por quatro meses, até que ele dissesse precisar de dinheiro.

Depois, foi no MatchMaker.com que ela conheceu outros dois homens que tentaram aplicar golpes similares. Um deles dizia ser de Tampa, mas viver na Nigéria.

“Eles sempre têm um perfil parecido, dizem que são viúvos, sozinhos, precisando de alguém. Eu, por também ser sozinha, fui caindo na conversa”, conta. “Aos poucos, eles procuram saber de sua vida, eu falei do meu trabalho, etc. Eles tinham várias fotos, que não sei se são deles ou de revista”.

“Depois de algum tempo, me pediram ajuda. Um deles, falou que se envolveu em um acidente e não tinha dinheiro nem para pegar um táxi para casa. Ele me passou um número de conta da Western Union e pediu que eu fizesse um depósito no nome dele”, relata.

Verônica contou que em todos os casos foi similar: eles disseram precisar desesperadamente de dinheiro, e quando ela disse que não tinha e não daria, eles ficaram bravos e depois desapareceram. Um deles chegou a dizer: “Como assim? Sou seu esposo, vou casar com você e você não pode me ajudar?”

Verônica diz saber sobre outro site que um brasileiro que vive em Broward usa para se comunicar com outra brasileira vivendo no Brasil. “Ele manda tudo que ela pede, e eles nunca se conheceram pessoalmente”.

Outros casos

Lapa conta de duas pacientes suas que sofreram desilusão, mas não necessariamente caíram em fraudes, ou “scams”.
“Uma cliente minha saiu duas vezes com um americano que conheceu no Match.com, que disse que resolveria a vida dela. Ela estava no país sem documentos, e foi acreditando nele, e se envolvendo. Depois de oito meses, ela percebeu que ele queria mesmo era viver às custas dela”, conta Lapa. “Ele pedia para que ela pagasse contas de cartão de crédito, dizendo que com um crédito melhor ele poderia lhe dar uma vida melhor, e assim foi levando a história”. Lapa conta que sua cliente trabalhava com limpeza, e pagava tudo para ele, mas foi ficando desiludida, até que resolveu terminar o relacionamento. “Depois disso ele começou a ameaçá-la”.

Outra cliente de Lapa se envolveu com um homem que era casado, na Califórnia. Depois de um tempo, ela ficou desconfiada com o número de viagens que ele fazia, e resolveu pesquisar, e descobriu sua “outra vida”.

Uma outra brasileira que não quis se identificar, mas residente em Broward, contou que já teve diversas experiências em sites de relacionamento. Ela primeiro entrou no Match.com sem pagar, e ficou só observando as pessoas. Depois de três meses só observando, ela resolveu pagar, para assim poder interagir.

“Conheci gente boa e gente terrível”, conta a brasileira. “Meu último relacionamento foi com um homem que conheci nesse site, e durou três meses”.

A brasileira conta que percebeu na hora o perfil das pessoas. “Quando a pessoa é muito objetiva, perguntando se pode ir em casa, já sei quais são as intenções e nem respondo”, explica. “Aqueles que dão o telefone logo de cara, sem querer conversar para te conhecer, para mim também já são um sinal de que não é uma pessoa para mim. Quem está interessado mesmo, quer te conhecer, saber o que você faz, mas não quanto você ganha. Querem saber se você tem bom relacionamento com sua família, é pé no chão, o que quer do futuro, etc”.

Dicas para um relacionamento online seguro

Existem dois lados do relacionamento online, segundo Lapa. O lado bom é que, com os devidos cuidados, pode ser muito bom, e existem muitos casos de sucesso. O lado ruim é que ninguém irá construir um perfil ruim no site de relacionamento, por isso não se pode cair na ilusão de que se conhece a pessoa, segundo Lapa. “Ninguém vai falar: ‘sou velho, barrigudo’”, brinca.

Existe uma unanimidade: quando a pessoa parece “boa demais para ser verdade”, é bom sair fora. “Quando a pessoa diz que viaja muito, que vai para a África, que é, por exemplo, engenheiro, e vem com ‘muita história’ isso pode indicar que essa pessoa é um ‘scam’”, diz uma das brasileiras.

Por isso, siga algumas dicas:

Por segurança, sempre marque encontros em lugares públicos.

Não coloque a pessoa em seu carro logo no primeiro encontro, muito menos em sua casa.

Quando marcar um encontro, não diga como estará vestido. “Vá, veja a pessoa, e se gostar, se identifique, se não, deixe quieto”, diz Lapa.

Se a pessoa der o nome completo, faça uma pesquisa na internet. Nos Estados Unidos, um “sex ofender” aparece na primeira página do Google. Sites como spokeo.com, intelius.com, peoplefinders.com e mesmo o Facebook podem trazer informações sobre a pessoa.

Dicas do site datingsitesreviews.com:

É importante ter em mente que a maioria das pessoas que utilizam sites de relacionamento estão em busca de um amor. Por isso, em vez de ficar com medo de todos os sites de relacionamento, saiba como se proteger:

Muita afeição muito rápido. Muitos fraudadores brincam com a vulnerabilidade da pessoa. Se ele souber que você está procurando por amor, é isso que ele dirá que vai te dar. Se ele estiver declarando sua afeição a você muito cedo, antes mesmo de vocês se conhecerem, tenha cuidado.

A pessoa tem uma tragédia para te contar. Muitos fraudadores dividem uma tragédia com suas vítimas, para se conectar emocionalmente, seja a perda de uma casa, de um familiar, trabalho, cônjuge. Eles pedem por algum tipo de ajuda, ou pena, o que pode acabar em um pedido de dinheiro.

A pessoa pede dinheiro. Se qualquer pessoa te pedir dinheiro em um site de relacionamento, saia fora.

Muito bom para ser verdade. Se a pessoa parecer boa demais para ser verdade, talvez isto seja possível. Lembre-se: você não conhece a pessoa de verdade.

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Marisa Arruda Barbosa
Marisa Arruda Barbosa
Paulistana, formada em Jornalismo pela University of South Florida (St. Petersburg) e em História pela PUC-SP. Atua no Gazeta Brazilian News desde 2010.