DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Breaking news

Brasileiras se unem na FL para enfrentar o câncer de mama

A paulista Gisele Buono venceu a doença e criou um grupo de brasileiras em tratamento na Flórida. Foto: Elizabeth Luvith Make up: Luely Souza.

O mês de outubro é o mês internacional de prevenção ao câncer de mama– o Outubro Rosa. Segundo dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer e a Organização Mundial da Saúde, 1 a cada 4 tipos de câncer que afetam as mulheres é de mama. O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no mundo, com 14,7% dos casos de morte em 2012 (último ano relatado), de acordo com a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer.

Na Flórida, o grupo“A Nossa força vem do Céu – Lutando contra o Câncer de Mama”criado pela paulista que mora em Coconut Creek, Gisele Buono, 37 anos, reúne cerca de 20 mulheres que estão em tratamento ou que venceram a doença. Por meio do grupo elas trocam informações e dão força umas às outras.

Com um tipo raro de câncer de mama diagnosticado em 2015, Gisele se viu livre da doença há um ano e atualmente realiza exames de periódicos como prevenção. Buono resolveu compartilhar nas redes sociais o seu tratamento e percebeu que muitas mulheres entravam em contato para compartilhar a dor e buscar informações, foi quando surgiu a ideia de montar o grupo. “Em janeiro desse ano eu tive a ideia de criar um grupo no whatsapp “A Nossa Força Vem do Céu” formado só por mulheres que, em sua maioria, estão passando pelo processo de quimioterapia, radioterapia, cirurgia ou uma recente cura do câncer de mama, para mostrar que ninguém precisa passar pela luta sozinha”, afirma.

“A descoberta prematura e o tratamento rápido, eficiente e adequado aumentam, cada vez mais, a chance de cura da doença e essa cura está intimamente ligada à atitude e à reação da paciente, ainda que cada caso siga caminhos distintos” explica.

A força da união

Janaina George descobriu o cancer ainda na gravidez. Janaina e o médico oncologista Dr. Marcelo Blaya. Foto: arquivo pessoal.

As participantes do grupo se ajudam com trocas de experiências, palavras de motivação e principalmente passam força uma pra outra. Uma delas, Janaina George, mora na Flórida há 10 anos e descobriu a doença quando estava grávida. Orientada pelo médico Dr.Marcelo Blaya, ela fez quimioterapia ainda na gestação e depois que o bebê nasceu, há cinco meses. A criança nasceu saudável e Janaina passará por cirurgia para retirada das duas mamas. “O grupo me dá a força que preciso para seguir em frente”, destaca.

O grupo conta ainda com a consultoria de Betania Stevenson, enfermeira especializada na área de Quimioterapia do Hospital North Broward Health e que auxilia as envolvidas com questões médicas e burocráticas.

Alessandra Mathias.

Outra integrante do grupo, Alessandra Mathias, 45 anos, mora em Boca Raton há 23 anos e no ano passado foi diagnosticada com câncer mama. Fez quimioterapia, radioterapia e mastectomia das duas mamas. “Acabei de fazer a reconstrução da mama e tenho mais uma cirurgia dia 2 de novembro pra um preenchimento de gordura. Graças a Deus estamos de pé. Nosso grupo é maravilhoso, tanto pra quem terminou o tratamento como para que está começando e precisa de ajuda. Tiramos dúvidas umas com as outras sobre remédios, o que foi usado pra aliviar sintomas da quimio e rádio, quem teve o mesmo sintoma, etc. Informamos para quem está começando onde ir procurar tratamento, trocamos orações, enfim, não é só um grupo mas sim uma forma de nos dividir a luta de cada uma e que podemos vencer”, ressaltou.

Rosângela está em tratamento quimioterápico até dezembro. Foto: arquivo pessoal.

A mato-grossense Rosângela Ramos, 37 anos, tem 2 filhas e mora em Pompano Beach. Há 12 anos nos Estados Unidos, em abril deste ano Rosângela foi diagnosticada com câncer de mama.
“No começo foi muito difícil a procura por tratamento. Fui em 4 hospitais, mas nenhum queria me atender ou ajudar pelo fato de eu não ter o social security. Essa pra mim foi a parte mais difícil, até que encontrei esse precioso grupo. Elas começaram a me passar informações e consegui meu tratamento no Holly Cross.
Rosângela está em tratamento quimioterápico, precisou colocar cateter e conta que não sofreu muito com os efeitos colaterais dos remédios, comum na maioria das pacientes. “Não senti nada, não tive enjoo, nem diarreia, vômito, febre, nada disso. O que aconteceu de diferente é que os cabelos caíram e as unhas ficaram pretas”, explica. Ela está reagindo bem ao tratamento e termina a quimioterapia em dezembro. “Sobre o nosso grupo tudo que tenho a dizer é que é a melhor coisa que podemos ter uma para ajudar a outra”, declara.

Simone Coltre.

Simone Coltre, 40 anos, mesmo fazendo o tratamento no Brasil, foi convidada a participar do grupo, e considera que faz toda a diferença. “Mesmo longe, desde o primeiro momento ela (a Gisele) me deu um super apoio, sendo sempre muito carinhosa e prestativa com todas do grupo. Tive a oportunidade de conhecer novas guerreiras, trocar experiências sobre tratamento delas dicas, e acima de tudo uma relação muito humanizada, pois a cada momento de luta, vitórias, medos ou receios, mesmo de longe nós compartilhamos a luta. Saber que somos um grupo de guerreiras e saber que tantas pessoas passam por esse problema de saúde e conseguem se ajudar, seja por um simples gesto ou palavra de carinho faz toda uma diferença”, diz emocionada.

O ‘Nossa força vem do céu’ para mim é um misto de amor, generosidade, parceria, carinho. Porque juntas e com Deus somos mais fortes!”, enfatiza Simone.

Encontro Rosa

Brasileiros em campanha do Outubro Rosa no ano passado no sul da Flórida. Foto: Gisele Buono.

As brasileiras planejam um encontro para o próximo dia 14, justamente para celebrar o mês de campanha do Outubro Rosa. Por enquanto, são feitas visitas individuais e acompanhamentos voluntários às sessões de quimioterapia, mas em geral, as reuniões se resumem ao aplicativo do celular e ligações. “Pelas participantes estarem, em sua maioria, debilitadas de alguma forma, o contato físico ou encontros festivos nem sempre colaboram nesse período”, explica Gisele.

O grupo aos poucos ganha força, uma vez que a cada tratamento concluído é comemorado como um nascimento, ou melhor, o renascimento de uma mulher que nunca mais verá a vida com os mesmos olhos.

Corte de cabelo gratuito para confecção de perucas

A cabeleireira Daniele de Paula organiza pelo segundo ano consecutivo a campanha “Beleza pela Cura” em seu salão em Pompano Beach, onde promove sorteio de brindes e cortes gratuitos de cabelos para doação em prol de confecção de perucas para crianças e mulheres em tratamento. “Continuarei com esta campanha em favor das pessoas que estão vivendo e passando por este momento tão delicado. Para doar, o cabelo precisa ter no mínimo 10inches e os cortes são feitos de terça a sábado, de 9:00am a 6:00 pm, com horário previamente marcado pelo telefone 9545324578.

Além da campanha, Daniele também está arrecadando alimentos não perecíveis a serem doados para famílias atingidas pelo furacão em Porto Rico.

As brasileiras têm o apoio de Betania Stevenson acima), enfermeira especializada na área de Quimioterapia do Hospital North Broward Health.

Mamografia gratuita e instituições de apoio

A National Breast Cancer Foundation oferece exames gratuitos em diversos locais em todo o país, inclusive na Flórida. Saiba pelo nationalbreastcancer.org/nbcf-programs/patient-services

A Fundação Susan G. Komen tem filiais em 120 cidades americanas, inclusive na Flórida. ww5.komen.org/affiliates

O National Breast and Cervical Cancer Control Programfornece exames de câncer de mama e cervical e serviços de diagnóstico para mulheres de baixa renda e sem seguro. Para se qualificar para esta seleção, a mulher deve ter entre 40 e 64 anos, não ter seguro que cubra o exame e estar em ou abaixo de 250% do nível federal de pobreza.

Caminhada agita campanha contra o câncer de mama no sul da Flórida

A Sociedade Americana do Câncer está organizando o Strings Against Breast Cancer – uma caminhada de 3km para ajudar a arrecadar dinheiro para a luta contra o câncer de mama a ser realizada no dia 21 de outubro de 2017, no Mizner Park Amphitheatre, em Boca Raton.

Aparelho Pink Luminous Breast

Lançado recentemente nos Estados Unidos, o aparelho Pink Luminous Breast permite facilitar o autoexame. O dispositivo médico é registrado pela Food and Drug Administration (FDA) e comercializado por US $ 199. Recomendado para mulheres a partir dos 25 anos, funciona com um espectro de luz fina que permite que os glóbulos vermelhos absorvam uma fração da luz que ilumina as veias, onde, em caso de tumor, apareceriam como manchas escuras ou sombras facilmente visíveis. O aparelho ajuda na realização do autoexame e na detecção precoce do câncer de mama, mas não substitui a mamografia realizada com mais rigor e detalhes em hospitais.

Baixe nosso app:

Comments

comments

[apss_share]

Tags: ,,

Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
276