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Brasil pode abrir consulado na fronteira EUA-México

O consulado brasileiro em Houston, responsável pela área da fronteira dos Estados Unidos com o México, está estudando a possibilidade de abrir um escritório na cidade texana de McAllen, na fronteira com o México, para dar melhor assistência aos brasileiros que entram no país ilegalmente.
Os dados oficiais fornecidos pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos ao consulado mostram que até o dia 28 de julho havia registro de 46.362 brasileiros que tinham entrado no país ilegalmente e tinham sido capturados pelos agentes da Polícia Fronteiriça americana.

Parte deles foi liberada para ficar no país até a data da audiência agendada no tribunal de imigração – geralmente entre 30 e 60 dias depois de serem detidos pelos agentes. Mas a grande maioria não compareceu à audiência, ficou no país depois de vencido o prazo e está ilegalmente nos Estados Unidos, podendo ser deportado a qualquer momento.

A deportação não é imediata porque os brasileiros não podem ser enviados de volta para o México, de onde vieram, porque não são cidadãos do país, e têm que ser mandados de volta para o país de origem. Alguns ficam detidos, mas quando os centros de detenção estão lotados têm a chance de serem encaminhados a uma audiência com o juiz de imigração, à qual a maioria não comparece.

“Contato pessoal”

“O trabalho aumentou muito nos últimos anos. Seria muito útil um escritório deste consulado mais perto de fronteira”, afirmou o cônsul em exercício do consulado de Houston, Milton Torres da Silva.

Todos os processos de detenção e deportação de brasileiros são enviados pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos para o consulado de Houston, a cerca de 500 quilômetros da fronteira.

“O contato pessoal é muito importante. Eu notei isso tanto com as autoridades americanas como com os brasileiros”, diz Torres.

O cônsul já foi à fronteira duas vezes nos últimos dois meses, uma a convite das autoridades americanas, numa visita junto com representantes consulares de outros países, e outra acompanhando um senador brasileiro. Lá, conversou com brasileiros detidos aguardando a decisão da deportação e viu os locais por onde eles cruzam o Rio Grande, que marca a fronteira entre Estados Unidos e México.

O cônsul admite que a abertura de uma representação na fronteira significa o reconhecimento por parte do governo brasileiro de que a imigração ilegal brasileira veio para ficar, mas diz que não pode ser diferente.

“Desde a época do império romano que as pessoas querem ir para o lugar onde têm mais oportunidades. E a Roma de hoje é os Estados Unidos, com imensa geração de renda e empregos”, diz ele.

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Gazeta Admininstrator
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