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Batman Begins

Batman Begins, que estréia em 320 salas de todo o País, nesta sexta-feira, é maravilhoso e a prova de que o cinema de arte e ensaio precisa reagir urgentemente. Cruzada, Star Wars Episódio 3, Batman Begins, o próprio Sr. & Sra. Smith, que possui qualidades, quem sabe Guerra dos Mundos, que estréia dia 29, mostram que pode haver vida inteligente no cinemão.

Christopher Nolan fez um belíssimo trabalho. Nolan é aquele diretor que contou de trás para a frente a história de um desmemoriado em Amnésia. Em Insônia, com Al Pacino e Robin Williams, valeu-se de novo artifício e contou em plena luz do dia – o dia eterno do Ártico – uma história de filme noir.

A proposta de Batman Begins passa pela humanização do personagem, mas num duplo movimento, complexo e até denso. Nolan humaniza para mostrar como um homem forjou o próprio mito de super-herói. Pense no Homem-Aranha e em Superman. Existem agentes externos que os condenam a ser como são (a kryptonita, a picada da aranha modificada geneticamente). Em Batman Begins seguimos a autoconstrução do físico e da mente de um homem. Ele é obcecado por vingança. Sofre um sutil processo de transformação, que vai além das mudanças operadas no corpo. É algo mais profundo, na mente. O vingador se transformaria num vigilante e ele descobre a Justiça. É emocionante.

Todo esse processo exige ator, ou atores. Os que faziam Batman para diretores como Tim Burton e Joel Schumacher eram fracos, mas com a ênfase no visual ou na ação, Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney só pesavam como atrativos de bilheteria em Batman, Batman – O Retorno, Batman Eternamente e Batman & Robin. Agora, a coisa é diferente. Há todo um processo de dramatização para criar o personagem e Christian Bale é um verdadeiro ator, o que faz muita diferença. E não é só Batman/Bruce Wayne. É Alfred, o mordomo, que traz a melhor interpretação de Michael Caine em muitos anos – e você sabe como esse ator, quando é bom, é ótimo; quando é ruim, é péssimo -, e é também o personagem (ou personagens) de Liam Neeson.

Logo no começo, o garoto Bruce Wayne cai no poço e é atacado pelos morcegos. Seus medos, daí por diante, se metamorfoseiam nos mamíferos voadores noturnos. A perda do pai, assassinado por um ladrão de rua, projeta o menino na orfandade. Ele se lança no mundo, numa busca por si mesmo que o leva aos píncaros do Himalaia, mas a verdadeira revelação ocorre de volta a Gotham City, quando Bruce toma consciência e forja o mito. Ao longo da narrativa, ele cai muitas vezes para cumprir o legado do pai, que lhe disse – “Os homens caem para aprender a se levantar.”

Alfred é fundamental no processo. Como pai substituto de Bruce, ele diz a outra frase definitiva de Batman Begins. Há críticos que dizem que Nolan foi à fonte da graphic novel Asilo Arkham, de Grant Morrison, que mostra um Batman cheio de perversões. Não é verdade. Sua fonte foi o gibi em que Frank Miller redirecionou o insight do criador do Homem-Morcego. Bob Kane criou seu herói dentro do clima de otimismo anterior à 2.ª Guerra Mundial. Ele se tornou sombrio com Miller após outra guerra, a do Vietnã.

Na fonte pesquisada por Nolan, Batman encontra o inspetor Gordon, como no filme. É o pré-Batman, o cara com graves distúrbios psicológicos que se supera por meio de um mito que o transcende. O novo Batman é um Batman humano, até demais. O filme dura duas horas e você vai se surpreender querendo ficar mais tempo com o apaixonante Batman de Christian Bale.

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Gazeta Admininstrator
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