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Aumenta número de imigrantes que conquistam a cidadania nos EUA

Jana Rodriguez com o marido Gabriel Rodriguez, 45, a filha Yasmin Zuniga, 15, e o filho Yago Rodriguez, 8, que acompanharam a cerimônia.

O número total de imigrantes naturalizados nos EUA aumentou 37% em 10 anos, indo de 14,4 milhões em 2005 para 19,8 milhões em 2015, de acordo com estimativas do Pew Research Center sobre imigrantes elegíveis para a cidadania dos Estados Unidos. Só no ano de 2016, um total de 753,060 imigrantes se tornaram cidadãos americanos, segundo os últimos dados divulgados pelo U. S. Departament of Homeland Security.

O número vem crescendo e, de 2014 a 2016 (últimos anos disponibilizados DHS) foram quase 100 mil pedidos concedidos a mais: pulou de 653,416 em 2014 para 753,060 em 2016.

A maioria dos 20 maiores grupos de imigrantes dos Estados Unidos teve um aumento nas taxas de naturalização entre 2005 e 2015, com a Índia e o Equador liderando o ranking, segundo a Pew Research. Para os imigrantes dos EUA em geral, as taxas de naturalização passaram de 62% em 2005 para 67% em 2015. As taxas de naturalização entre os imigrantes elegíveis de Honduras, China e Cuba diminuíram ou permaneceram praticamente inalteradas de 2005 a 2015. Os imigrantes mexicanos são o maior grupo de imigrantes legais: cerca de 2,5 milhões de mexicanos obtiveram a cidadania dos EUA no período citado e outros 3,5 milhões foram elegíveis para se naturalizar.

Os dados do DHS revelaram também que a Flórida teve, no geral, um número de naturalizações crescente nos últimos 3 anos: foram 79,637 em 2014; 81,960 em 2015; e 88,764 em 2016.

Nas quatro principais áreas da Flórida, os números totais de naturalização tiveram a seguinte distribuição: Miami-Fort Lauderdale-West Palm Beach: 52,544 em 2014, 53,448 em 2015 e 59,227 em 2016; já a área de Orlando-Kissimmee-Sanford,registrou 6,971 em 2014, 8,297 em 2015 e 8,560 em 2016; em Jacksonville, 2,497 em 2014, 2,363 em 2015 e 2,372 em 2016; Tampa-Saint Petersburg-Clearwater: 7,092 em 2014, 6,755 em 2015 e 7,121 em 2016.

Francisco Aquino, 45 anos, conquistou a cidadania em 2017. Foto: arquivo pessoal.

Brasileiros

As estatísticas do DHS indicam que o número de brasileiros que adquiriram a cidadania nos Estados Unidos aumentou de 2014 para 2015, mas diminuiu de 2015 para 2016: foram 8,625 brasileiros naturalizados em 2014, enquanto em 2015 foram 10,516 e em 2016 10,268. Do montante de 2016, 6, 434 são mulheres e 3,834 são homens.

Desse número, a Flórida foi o estado onde mais brasileiros se tornaram cidadãos: foram 2.369 cidadanias concedidas em 2016, contra 1.700 em Massachusetts; 1089 na Califórnia; 796 em New York e 737 em New Jersey.

Segundo dados do U.S. Census Bureau – 2016 American Community Survey, o número de brasileiros naturalizados atualmente no estado da Flórida somam 35.579.

“Cidadania é poder votar, trabalhar em departamentos do governo, ser eleito a cargos públicos e ter liberdade”

Além de poder votar e ter cargo público, a pesquisa do U.S. Census Bureau indicou também que os imigrantes que se tornaram cidadãos americanos têm rendimentos mais altos do que aqueles que não o fazem.

Nos Estados Unidos há 18 anos e há 8 na Flórida, Francisco Aquino, 45 anos, conquistou a cidadania no dia 28 de julho de 2017 e diz que realidade com a cidadania é outra. “Passei oito anos sem ir ao Brasil, meu pai faleceu e não pude ir me despedir dele porque foi justamente na época que estava aguardando a entrevista para obter o Green Card. É aquela vida de imigrante: sempre trabalhando duro, focado, dentro da lei, até conseguir se legalizar ou ficar pelo maior tempo possível por aqui”, pondera.

Sobre a cerimônia, o brasileiro diz que sentiu uma forte “emoção” pelo momento. “Eles te tratam de outra maneira, muito educadamente chamam pelo nome e pelo país de origem e ainda orientam para que não esqueçamos de onde viemos e que é importante dar valor às duas cidadanias”, salienta.

Selma Moreira. Foto: arquivo pessoal.

Selma Moreira, natural de Vitória (ES), mora nos Estados Unidos desde 1988 e obteve a cidadania em janeiro de 2017, em West Palm Beach. Para ela, a cidadania possibilita “direitos iguais de uma pessoa nascida nos Estados Unidos, liberdade de expressão, inclusive religiosa. Ter um júri justo, poder votar, trabalhar em departamentos do governo, ser eleito a cargos públicos. Enfim, ter uma vida de liberdade e felicidade!”, conclui.

O curitibano Alysson Almeida se tornou cidadão americano em 20 de julho de 2016, numa cerimônia em Richmond, na Virgínia. Almeida veio para os Estados Unidos em 2000 e conseguiu o Green Card por meio da LIFE Act Amendments, conhecida lei I-245, assinada pelo ex-presidente Bill Clinton e que possibilitava aos imigrantes serem contratados por empresas americanas independente de seu status imigratório. “A naturalização é a segurança para minha família. E também quando viajo para fora do país e retorno, ouvir um ‘welcome home’ é outra coisa”, destaca.

Alysson Almeida. Foto: arquivo pessoal.

Jana Rodriguez, 39 anos, mora em Wellington e recebeu a cidadania americana no dia 25 de agosto de 2017, em West Palm Beach. “Eu havia mantido o meu Green Card por 10 anos sem pressa de fazer a cidadania por varias razões. Mas a eleição de 2016 e o vencimento do Green Card naquele mesmo ano me trouxeram o desejo de pedir a minha cidadania, pois eu sabia que se o candidato republicano ganhasse, ele perseguiria os imigrantes e apenas o Green Card não seria suficiente pra me manter aqui nesse país”, ressaltou.

Para serem elegíveis para a cidadania dos EUA, os imigrantes devem ter 18 anos ou mais, residirem nos EUA por pelo menos cinco anos como residentes permanentes legais (ou três anos para os casados ​​com um cidadão dos EUA) e estarem de acordo com a lei , entre outros requisitos. O processo inclui vários passos para obter a cidadania e começa com a apresentação de um pedido e o pagamento de uma taxa de US$ 725, incluindo uma taxa de biometria de US$ 85. Atualmente, o tempo de processamento do pedido varia de sete meses a um ano e o processo culmina com um juramento de lealdade aos Estados Unidos.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
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