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Aula de Português ou Internetês?

siteEm um texto entregue ao professor durante uma atividade que discutia os gêneros digitais, um aluno escreve: “hj, to em kza e c sds, qro mto q vc resp m msg, fmz?”

A “tradução” é: “Hoje, estou em casa e com saudades, quero muito que você responda minha mensagem, firmeza?”

Com certeza, a internet é uma ferramenta social importante para o uso da linguagem. É uma forma de comunicação específica que completa a diversidade linguística do Português e de diversos outros idiomas e se apresenta de forma diferente da norma padrão culta.

Os gêneros digitais fazem parte de uma mídia tão poderosa, que alcança jovens do mundo todo para discutir inúmeras questões pessoais, sociais e políticas. É uma forma de comunicação agradável que, se bem contextualizada, pode ser muito útil. Então, por que não aproveitar essa forma diferente de escrever em aulas de Língua Portuguesa?

Por acaso, a linguagem da internet é ruim para as línguas de todo o mundo?

Assim como aprendemos a usar uma roupa social em um casamento, da mesma forma aprendemos a usar uma roupa específica em uma praia, por exemplo. Ninguém vai à praia, tomar sol, com terno e gravata. Assim como ninguém vai com sunga ou biquíni a um casamento formal.

Portanto, os profissionais da educação têm a missão de mostrar a cada aluno, a cada internauta, a cada usuário da Língua, que precisamos saber o momento certo para usar cada forma linguística, assim como aprendemos a usar cada tipo de roupa em determinadas situações.

Sou a favor deste “internetês”, desde que seja ensinado de foram contextualizada. Esse tipo de comunicação está presente nas mídias, nas escolas e também na Literatura Contemporânea.

Por conta desse cenário, precisamos mostrar aos jovens qual é a forma de comunicação apropriada para cada situação. É fundamental prepará-los para entender o mundo em que vivem.

Se na internet, eles preferem se comunicar com o uso de reduções como: “hj (hoje); tbm (também), qro (quero); tah (tá); neh (né); vc (você); ngm (ninguém) fmz (firmeza); não há problema algum. Deixemos que a criatividade dos estudantes possa crescer cada vez mais. Vamos incentivá-los a criar e, também, a saber a gramática normativa.

Os padrões gramaticais são importantes. E precisamos preservá-los para efetivar a formalidade e manter o aspecto cultural e etimológico do idioma. Mas não vamos esquecer que usar o “internetês” num ambiente formal é tão desastroso quanto usar a norma culta em um diálogo livre pelas redes sociais.

Exaltar a criatividade linguística dos usuários é dizer um sonoro SIM para a vida de um idioma. A Língua Portuguesa normativa deve ser usada no momento adequado; e o “internetês”, também!

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese. Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
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