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Arroz do Brasil e EUA não oferece risco à saúde, afirmam órgãos brasileiros

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A diferença de solo oriental e ocidental é um dos fatores para a qualidade do grão brasileiro e americano. Foto: iStock | ribeirorocha

Em contraponto às informações divulgadas na semana passada, na matéria “Pesquisa do Reino Unido encontra toxina cancerígena no arroz”, sobre uma pesquisa do Reino Unido indicando altos níveis de arsênio presente no arroz, uma avaliação feita por duas entidades brasileiras do setor, Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), baseadas em informações técnicas e pesquisas sobre o assunto, busca tranquilizar o consumidor brasileiro sobre as afirmações e garantir a segurança deste alimento.

Para o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Sarmento Barata, a consolidação do arroz como a base da alimentação de dois terços da população mundial há vários séculos fala por si só. “Isso descredencia absolutamente o arroz de qualquer papel de vilão à saúde humana”, enfatiza.

Após a divulgação de uma pesquisa realizada em 2013, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, que apontou nível expressivo de arsênio em arroz e acendeu o alerta em todo o país para o consumo do alimento, foram providenciadas análises de arsênio em arroz do Rio Grande do Sul.

“É importante que se esclareça que o arsênio no arroz, geralmente, provém quando o mesmo é cultivado em solos derivados de rocha com alto teor de arsênio, o que não é o caso do Rio Grande do Sul”, esclarece Cláudio Mundstock, consultor do Irga e professor aposentado da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Um laboratório da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) fez as análises nos grãos, provenientes de onze locais do estado. “Os resultados desclassificaram qualquer risco à saúde dos consumidores. Há muito que esclarecer ainda, mas tenho a convicção de que no caso do arroz do Rio Grande do Sul não há que se preocupar desse fato”, declarou.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, lembra que órgãos de saúde como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), já atestaram em levantamentos a sanidade do arroz do Rio Grande do Sul, estado responsável por 72% da produção nacional do grão – qualidade também comprovada no Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, que faz parte do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal), do Ministério da Agricultura. “Temos o controle do que acontece no nosso arroz e damos a garantia aos consumidores de que 72% vêm da produção gaúcha, que é limpa e livre de qualquer resíduo de agroquímicos”, observa.

De acordo com Dornelles, “é importante levar em conta a qualidade dos mananciais e solo do estado que, ao contrário dos países produtores orientais, não possuem indícios de contaminação por metais pesados, principalmente provenientes de concentrações populacionais ou atividades industriais”.

Os fabricantes de arroz brasileiros destacam que o sistema de cultivo de países orientais e ocidentais são distintos, assim como a diferenciação do tipo de solo, o que influencia no teor de arsênio e, no caso do Brasil, a incidência é mínima como já demonstram alguns trabalhos produzidos. “O tipo de solo é pertinente em relação ao teor. Solos mais vulcânicos tem esta tendência, ao contrário do solo brasileiro”, enfatiza Dornelles.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) se baseou no estudo do professor Nathan Levien Vanier, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que concluiu que os teores de arsênio encontrados em grãos de arroz produzidos no Brasil, até então, são compatíveis com os teores observados em grãos produzidos nos Estados Unidos e na Europa.

Também, na pesquisa realizada pela USP, a conversão das medidas do arsênio encontrado no arroz no Brasil (222 ng/g ou partes por bilhão/ppb), indicou que o índice ainda está bem abaixo do mínimo que foi encontrado e que pode causar danos genéticos e câncer (2mg/kg, 2 partes por milhão, ou 2000 ppb), isto é 1/10.

Órgãos do Brasil e EUA classificam como teor abaixo de risco

Após a divulgação da pesquisa da USP, em agosto de 2013, a Anvisa atualizou os níveis máximos de arsênio, chumbo, mercúrio, cádmio e estanho toleráveis nos alimentos. A norma brasileira não faz distinção entre arsênio inorgânico e orgânico e estabeleceu para o arroz um teor máximo de 0,30 mg/kg. Como este novo valor é três vezes superior ao limite anterior estabelecido em 1998, o estudo da USP encontrou um nível de arsênio no arroz abaixo deste limite (222 ng/g ou 0,222 mg/kg).

Em setembro do mesmo ano, a FDA informou que testou mais de 1.300 alimentos e que os níveis de arsênio encontrados nas amostras não são altos o suficiente para causar um dano imediato à saúde. No entanto, a respeito do impacto destes níveis em longo prazo, a agência informou que ainda conduzirá um estudo mais abrangente.

Portanto, segundo regulamentação dos órgãos responsáveis e de algumas empresas fabricantes do produto no Brasil, não haveria motivo para preocupação.

Nível de arsênio no arroz da Índia e China é maior

Pesquisadores da Universidade de Manchester e do CSIR-Instituto indiano de Biologia Química estudaram 400 pessoas que vivem na região de Bengala Ocidental da Índia, para as quais o arroz era um alimento básico, mas que não foram expostos ao arsênico através de outras fontes, tais como água potável. As descobertas foram publicadas narevista Nature, em 2013.

Em particular, os autores notaram danos celulares mensuráveis quando a concentração de arsênio no arroz era igual ou superior a 2mg/kg (ou cerca de duas partes por milhão). Curiosamente, este é o nível de segurança para os compostos de arsênio inorgânico sendo propostos pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Na natureza, o arsênio existe em mais de vinte formas diferentes, algumas mais tóxicas aos seres humanos. Dependendo da forma e da quantidade ingerida, este arsênio pode causar danos ao organismo como ocâncer. Por outro lado, existem formas que, se ingeridas em grandes quantidades, não causam nenhum problema ao organismo humano como, por exemplo, a arsenobetaína, comumente encontrada em alimentos marinhos como o camarão.

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