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Argentina quer dificultar entrada do Brasil no Conselho da ONU

O governo argentino começou a dar sinais de que pretende dificultar o caminho do Brasil e de outros países para conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
A interpretação é feita a partir de informação publicada pelos jornais Clarín, da Argentina, e Financial Times, da Grã-Bretanha.

Segundo reportagens publicadas nos dois diários, durante reunião em Nova Iorque, o vice-chanceler argentino, Jorge Taiana, teria dito que seu país não acredita que a incorporação de novos integrantes “privilegiados” corrigirá a “discriminação” ou “melhorará” a legitimidade do Conselho.

“Na verdade, só aprofundará (as diferenças) e as decisões correrão o sério risco de serem freqüentemente questionadas”, disse.

Oposição

As declarações de Taiana foram feitas diante das 119 delegações do grupo União para o Consenso (ex-Coffee Club).

O anfitrião do encontro foi o ministro das Relações Exteriores da Itália, Gianfranco Fini, cujo país lidera a oposição internacional à ampliação do número de assentos do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Essa expansão daria ao Brasil, à Índia, ao Japão e a outros vagas permanentes no Conselho. Segundo o Clarín, o embaixador argentino na ONU, Cesar Mayoral, teria dito que a Argentina não está atuando “contra ninguém”, mas “a favor do conjunto”.

Seja como for, foi desatada a polêmica sobre o papel que o país está tendo quando o Brasil é candidato declarado a uma vaga no organismo. E quando já reúne apoios explícitos como os dos governos de Chile, Venezuela, Alemanha e França.

Ouvidos pela BBC Brasil, o professor de relações internacionais da Universidade Torcuato Di Tella, Sérgio Berenztein, e o cientista político Roberto Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), não acreditam que a polêmica renderá frutos.

Os dois entendem que as palavras de Taiana representam a opinião de um setor da diplomacia argentina, mas não necessariamente do presidente Nestor Kirchner.

“Esse é um governo de opiniões divididas e contraditórias e ainda não está totalmente claro qual será sua posição, caso realmente seja feita a reforma para ampliar o Conselho de Segurança”, disse Berenztein.

“Se a Argentina chegar a optar, formalmente, contra a candidatura brasileira, significará a ruptura do Mercosul. Sinceramente, não acredito que isso ocorrerá”.

Para ele, o Brasil é hoje “o protagonista da região”.

“O Brasil é a principal potência da região. Em termos econômicos, políticos, populacional e territorial. Não é só que a Argentina não acompanhou o desenvolvimento brasileiro. Mas, sim, que ela regrediu frente a seu vizinho. Portanto, a Argentina não pode pretender dificultar o acesso do Brasil a essa cadeira”, completou Berenztein.

Na sua opinião, a posição do governo argentino frente à candidatura brasileira ainda é “ambígua”. Hoje, disse, ele escuta para decidir sua estratégia em cima da hora.

Parceiro

Por sua vez, ao recordar o perfil brasileiro, Bacman afirmou que a vaga corresponderia ao Brasil.

“Essa é uma opinião pessoal. Acho que a Argentina deveria apoiar o seu principal parceiro. Mas é óbvio que tal atitude provocaria críticas dos mais nacionalistas. Eles logo perguntariam: por que o Brasil e não a Argentina? Não é, portanto, um assunto fácil internamente”, reconheceu.

O próprio analista foi cauteloso, ressalvando que, quem sabe no futuro a Argentina também teria seu lugar “permanente” nesse mapa de decisões do mundo.

Ao mesmo tempo, entendeu, a Argentina só teria a ganhar ao ter um representante da América do Sul no Conselho de Segurança da ONU.

No governo, imperou o silêncio, depois de divulgadas as palavras do vice-chanceler.

E ninguém soube dizer o que a Argentina poderia conquistar em troca, caso chegue a dar seu apoio ao Brasil.

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Gazeta Admininstrator
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