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Com “Manderlay”, filme no qual o cineasta dinamarquês Lars von Trier dirige seu olhar implacável para a escravidão, e “A History of Violence”, do canadense David Cronenberg, a mostra competitiva do Festival de Cannes apresentou provas da alta qualidade cinematográfica que promete complicar o trabalho do júri.

“Manderlay”, segundo filme da trilogia iniciada com “Dogville” (2003), ao qual se seguirá “Washington”, em 2007, aborda, com a mesma narrativa teatral apurada do filme anterior, a escravidão e o racismo nos Estados Unidos e, através deles, as complexidades e os abismos da alma humana.

Assim como em “Dogville”, o cineasta dinamarquês radiografa de forma implacável a sociedade americana. “Manderlay” é igualmente pessimista em sua avaliação do gênero humano.

Lars von Trier representa para o cinema do século 21 o que Bertold Brecht foi para o teatro do século 20. O cineasta se inspira no dramaturgo e faz um cinema quase teatral, com cenários minimalistas e espaços simplesmente marcados no chão.

“Manderlay” começa onde “Dogville” termina e tem a mesma estrutura e o mesmo personagem central: a bela e idealista Grace, filha de um gângster.

Bryce Dallas Howard substitui Nicole Kidman no papel da protagonista, cercada por um elenco integrado por Danny Glover, a mítica Lauren Bacall no papel de “Mam”, uma idosa branca que mantém a escravidão em sua propriedade, 70 anos depois da abolição.

Estamos em 1933. Depois de partir de Dogville e voltar para Denver, onde os negócios não vão bem, Grace e seu pai partem em busca de novos territórios rumo ao sul. No Alabama, encontram uma enorme fazenda fechada, ancorada no passado e onde a escravidão ainda existe.

Grace decide ficar e reparar a injustiça. Seu pai vai embora, prevenindo-a de que desta vez não contará com ele quando seus planos de redenção fracassarem, como aconteceu em Dogville.

“Decidi falar dos Estados Unidos com esta trilogia porque sou 60% americano, embora nunca tenha estado lá, visto que o meu país e a minha vida são influenciados pelo controle americano”, declarou o diretor dinamarquês.

“Os Estados Unidos dominam o mundo, estamos sob sua má influência”, afirmou o diretor, acrescentando: “Eu não posso mudar nada lá, não voto nos Estados Unidos. Só posso fazer filmes”.

Lars von Trier foi agraciado duas vezes no Festival de Cannes, a primeira com o Grande Prêmio do Júri, em 1996, por “Ondas do Destino” e a segunda, com a Palma de Ouro, em 2000, por “Dançando no Escuro”.

“A History of Violence”

No outro filme da mostra competitiva exibido nesta segunda-feira, “A History of Violence”, o canadense David Cronenber também volta seu olhar para a sociedade americana.

O filme é construído como um western clássico, emoldurado pela violência da sociedade atual.

Em uma pequena cidade americana, Tom (Viggo Mortensen), um ex-pistoleiro regenerado, hoje dono de um café e pacífico pai de família, mata dois malfeitores sanguinários que assaltam o seu estabelecimento e estão a ponto de assassinar uma garçonete.

O fato de a imprensa local o retratar como um “herói americano” faz com que ressurja o passado de máfia e violência que tinha tentado deixar para trás.

Uma reflexão sobre a violência da sociedade americana, o filme de Cronenberg é, ao mesmo tempo, um drama familiar e um suspense de eficácia impressionante, que reinventa um personagem típico dos westerns: o ex-pistoleiro que volta a recorrer à violência para defender sua família.

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Gazeta Admininstrator
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