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Annan lidera cúpula enfraquecido por escândalo

O relatório sobre o programa Petróleo por Comida, divulgado na semana passada, enfraqueceu ainda mais o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, na avaliação de analistas. Isso dificultou ainda mais a negociação em torno do documento que ele preparou para servir de base para a cúpula mundial, que começa nesta quarta-feira.
O que era para ser uma reunião de alto nível com promessas e compromissos que poderiam mudar a face da ONU e retomar a importância perdida pela organização com o tempo corre o risco de se tornar um encontro de oportunidades desperdiçadas.

A falta de consenso deve-se à dificuldade em conciliar os diferentes interesses, mas analistas concordam que o escândalo diminui o poder de influência do secretário-geral.

A investigação liderada pelo ex-presidente do banco central americano Paul Volcker não acusa o secretário-geral diretamente, mas conclui que nem o Secretariado nem o Conselho de Segurança da ONU atuaram de maneira eficiente para impedir os desvios do programa, criado para minimizar o sofrimento dos iraquianos com o embargo internacional ao país e que acabou tendo recursos desviados pelo então presidente Saddam Hussein.

“O relatório Volcker torna a posição de Kofi Annan praticamente insustentável”, acredita o cientista política Luiz Bitencourt, pesquisador sênior do Woodrow Wilson Center, em Washington.

Segundo mandato

Nile Gardiner, especialista em relações internacionais da Heritage Foundation, diz que Kofi Annan já era fraco e ficou ainda mais enfraquecido com o relatório do Petróleo por Comida. “Esta provavelmente será sua última Assembléia Geral”, afirma.

Muitos acreditam que Annan possa renunciar antes de concluir o seu segundo mandato, que oficialmente termina em dezembro de 2006.

“Muitos nos Estados Unidos gostariam de vê-lo fora. Mas o governo Bush é mais pragmático”, afirma Gardiner.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse no dia seguinte à divulgação do relatório que o governo dos Estados Unidos acredita que pode continuar a trabalhar com o secretário-geral. “Estamos confiantes que ele vai apoiar o tipo de reformas necessárias para garantir que este tipo de coisa não aconteça de novo”, afirmou.

Ao mesmo tempo, as conclusões do relatório reforçam a tese dos Estados Unidos de que a ONU precisa de reformas administrativas que tornem a organização mais ágil, eficiente e transparente.

Johanna Mendelson Forman, diretora da UN Foundation, uma organização de Nova York que financia alguns projetos da ONU, acha que Kofi Annan já estava enfraquecido antes, e que a divulgação do documento menos de uma semana antes da cúpula mundial torna sua liderança ainda mais difícil.

“Deve ficar ainda mais difícil negociar as mudanças que ele (quiser) fazer na organização”, prevê.

Ela diz que o poder dele na Secretaria-Geral vai depender da capacidade dele de construir um consenso ao redor de assuntos que interessam aos Estados Unidos e a outros países-membros poderosos.

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Gazeta Admininstrator
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