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Americano cobra $10 para denunciar indocumentados.

O especialista em computadores atua como uma espécie de delator
de aluguel dos tempos modernos, e diz que descobriu um filão de mercado.

Aonde há um problema, há sempre também uma oportunidade. O autor da frase é David Caulkett, um morador de Pompano Beach, na Flórida, que decidiu fazer um trocado incentivando pessoas a denunciarem imigrantes ilegais pela internet.

Em sua página reportillegals.com, ele cobra taxa de $10 para intermediar denúncias junto às agências governamentais, em troca de manter o anonimato do denuciante. Atua como uma espécie de delator de aluguel dos tempos modernos.

A página de Caulkett entrou em funcionamento em 2003, mas em março começou a ganhar repercussão na imprensa, após as manifestações pró-imigrantes realizadas em vários estados do país. “O volume de e-mails logo após os protestos de imigrantes ilegais em março cresceram astronomicamente. Todo o clima mudou depois daqueles protestos”, disse.

Em sua página o intermediador de denúncias também exibe outra forma de conseguir dinheiro extra: vende por $18 camisetas com a inscrição “Here Legally” (Aqui legalmente), descritas como excelentes para expor em lojas ou para usar na linha de protesto”. “Tenho dado esperança às pessoas, tenho defendido a regra da lei. E as pessoas apreciam isso”, diz Caulkett.

A página, naturalmente, tem defensores e críticos. “Isso é algo que o governo deveria estar fazendo”, diz Ira Melhman, porta-voz da Freedon For American Immigration Reform (Fair), um grupo nacional de pressão por leis mais rígidas de imigração.

Bruce Winick, professor de direito na Universidade de Miami, alerta que uma pessoa que seja erroneamente denunciada à imigração poderá processar Caulkett por difamação. “É uma falsa declaração a de que cometer injúria à reputação de uma pessoa pode ser civilmente aceito”, alerta. Alguns advogados já consideraram que o website desrespeita nítidamente as leis antimilícia do país.

Embora o website de Caulkett alegue estar agindo dentro da lei, muitos o consideram, no mínimo, de péssimo gosto.

Cheryl Little, diretora-executiva do Florida Immigration Advocacy Center in Miami que o site não tem “a benção” do governo norte-americano. “Estamos muito preocupados com esse tipo de tática. Esse sujeito está cobrando $10. É tão claro que há um ganho monetário nisso. É a parte da cobrança que me parece perturbadora. Nós não deveríamos tornar os nossos cidadãos vigilantes pagos”.

– Eu iniciei esse site por causa do mercado. Esse é realmente um nicho único de mercado. Desenvolvi um serviço com fins lucrativos para lidar com a imigração ilegal comercializando serviços”, diz Caulkett, um especialista em computadores que reconhece ter agravado sua ótica contrária a imigrantes nos anos 90, quando ficou desempregado, e não ter conseguido outro emprego. “Fui treinado a vida inteira para ser realmente bom com computadores, e esperava que nesse ponto de minha vida estivesse ganhando de $100 mil a $150 mil por ano, mas não foi assim”, disse.

Na opinião de George Mursuli, diretor na Flórida da People for The American Way, Caulkett “está fazendo 10 pratas com a miséria das pessoas”. “Você não tem idéia no que está fazendo com a vida das pessoas. Ele vai consertar os problemas de imigração? Denunciar 11 milhões de pessoas a $10 cada uma? É isso que ele está pensando?”, alerta Mursuli.

Racismo

Caulkett tem sido apontado por muitos como puramente racista, que tem como alvo imigrantes de pele morena ou negra, puramente por ódio racial. De acordo com reportagem publicada pelo jornal New Times, de Broward e Palm Beach, um cidadão recentemente contactou Caulkett por e-mail acerca do tema imigração, e teria assinado a correspondência com o sarcástico codinome de “white power” (poder branco). Ele nega ser motivado por racismo ou xenofobia (ódio ou desprezo por estrangeiros).

“As pessoas nos chamam de xenófobos. Eu não acho que seja isso”, diz Caulkett acrescentando também não ser racista. “Eu denuncio estrangeiros de todos os continentes. Como é que posso ser racista? Sou neutro em matéria de raça. Não sou racista”, afirma.

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Gazeta Admininstrator
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