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Álbum mostra vidas alternativas de heróis

Realidades alternativas são um prato cheio para roteiristas –e leitores– de quadrinhos. Volta e meia o mote “o que aconteceria se…” é explorado para subverter a história de personagens clássicos, já que permite as experimentações mais bizarras possíveis.

Reprodução

Aquaman em versão brinquedo, em “Espírito de Porco!”
É justamente de mundos alternativos de heróis de HQ que trata “Bizarro Comics!”, álbum que a Opera Graphica lança neste mês no Brasil (240 págs., R$ 69). Diversos roteiristas e artistas –incluindo Matt Groening, criador dos Simpsons, que fez a capa– pegaram personagens clássicos (Super-Homem, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman) e os realocaram. O resultado são histórias quase sempre cômicas, satirizando os estereótipos do gênero.

A série de pequenas histórias é ligada por uma trama maior, intitulada “Guerras Bizarras”, que reúne dois personagens clássicos da mitologia do Super-Homem –o Bizarro, uma cópia do homem de aço com nome auto-explicativo, e Mxyzptlk, uma espécie de duende espacial que só pode ser vencido se forçado a pronunciar seu nome ao contrário.

A trama principal é justamente a mais fraca do álbum. Além de desnecessária, ela tem um humor pueril, que não condiz com os demais roteiros. Mas o leitor que mantiver o ânimo depois de passar por ela (ou simplesmente ignorá-la) encontrará alívio já na história seguinte, “Super-Mascotes”, que vislumbra o que aconteceria com o Super-Homem se, além dele, uma série de bichos também se salvassem da destruição de seu planeta natal.

Graças ao seu caráter quase divino, o homem de aço é um dos personagens mais utilizados pelos roteiristas. Kyle Baker, por exemplo, imagina como seria cuidar dele quando bebê, na ótima “A Babá do Super-Homem”, ilustrada com traços clássicos. A rivalidade não-declarada (além da admiração mútua) com o Batman também rende uma boa história.

O homem-morcego também é mote para uma série de boas tramas, como a singela “Batcaverna”, escrita por Paul Pope e desenhada por Jay Stephens, na qual um garoto em fuga descobre o esconderijo do herói.

Mesmo personagens sem tanto charme, como o Aquaman, ganham excelentes histórias. Em “O Silêncio dos Peixes”, o herói aparece afeminado; em “Espírito de Porco!”, ele é um brinquedo na banheira de um garoto; ele também participa de uma versão da fábula do menino que gritava lobo, em “O Homem que Chorava Peixe” (equívoco de tradução do verbo “cry”, que, nesta acepção, não significa chorar, mas gritar).

Há ainda tramas com referências cinematográficas, como “O Humilde e o Orgulho” (com citação de “Nascido para Matar”, de Kubrick), na qual um aspirante a Lanterna Verde passa por um árduo treinamento para ser herói.

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