DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Airbus tinha falha no reversor

A possibilidade de uma falha mecânica ter contribuído para o maior acidente aéreo da história brasileira ganhou força ontem com a revelação de que o avião da TAM tinha um defeito no reversor da turbina direita.

O mau funcionamento do equipamento, porém, não explicaria sozinho o fato de o Airbus A320, com 186 pessoas a bordo, ter atravessado os 1.940 metros da pista a uma velocidade acima do normal e se chocado contra um prédio da companhia aérea do outro lado de uma avenida. Como em todos os acidentes aéreos, uma série de outros fatores teria contribuído para a tragédia.

No caso do reversor – equipamento que ajuda a frear o avião no solo, funcionando como uma turbina ao contrário – , o problema teria sido detectado na sexta-feira passada, quatro dias antes do acidente. Mesmo assim, o avião continuou voando nos dias seguintes.

O presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, confirmou a informação, mas justificou que a própria Airbus não considera que o problema impeça uma aeronave de continuar operando. A única recomendação da fabricante seria que uma revisão no dispositivo fosse feita no prazo de 10 dias.

avião destruído no acidente de terça-feira era o mesmo que havia tido problemas para aterrissar no aeroporto de Congonhas no dia anterior. A aeronave realizava um vôo entre Belo Horizonte e São Paulo e teve dificuldades para frear, parando apenas no limite da pista.

Na noite de ontem, a TAM emitiu nota de esclarecimento na qual afirma que a desativação do reversor direito do Airbus atendeu às normas técnicas da fabricante e da companhia.

Apesar disso, um piloto de jatos comerciais que opera com freqüência em Congonhas disse a Zero Hora que é possível pousar no aeroporto apenas com um reversor funcionando, e que não há nada de irregular no procedimento.

– É possível pousar em Congonhas sem nenhum dos reversores em dias secos e com apenas um funcionando em dias de chuva – afirmou o piloto, especialista em investigação de acidentes aéreos.

Pedindo para não ser identificado, ele disse, no entanto, que Congonhas não oferece condições ideais e deveria ser fechado. O acidente, segundo ele, não ocorreria se a pista fosse maior e houvesse uma área de escape, como costuma ocorrer em aeroportos nos Estados Unidos. Sua avaliação, ao ver as imagens divulgadas pela Infraero, é de que o comandante do vôo 3054 pousou a uma velocidade acima do normal, acionou o reversor esquerdo para ajudar a frear o avião e tentou até o final da pista parar a aeronave, sem sucesso, o que também poderia indicar um problema no sistema de freios dos pneus.

Acionado um dos reversores, ficaria muito mais difícil tentar arremeter o avião, já que, para decolar novamente, seria necessário desarmar o equipamento e aplicar potência máxima aos motores. O aparelho demoraria vários segundos para responder à manobra. Ao todo, de acordo com as imagens do pouso do A320, passaram-se 30 segundos entre o toque do avião na pista e a explosão contra o prédio da TAM na avenida.

Outros especialistas têm interpretação diferente. O comandante Sérgio Machado, assessor de ensino de vôo da Ulbra e do Aeroclube do Rio Grande do Sul, concorda que o avião pousou em alta velocidade, mas acredita que em algum momento o piloto tentou arremeter, já que a velocidade não parece diminuir em nenhum momento ao longo da pista. Segundo ele, o desvio para a esquerda no fim da pista não seria, como se especula, uma tentativa de parar a aeronave à força, dando um cavalo-de-pau, e sim um esforço para decolar novamente por uma área com menos obstáculos.

– Seria um absurdo tentar um cavalo-de-pau àquela velocidade – disse.

Uma das primeiras pessoas a ter acesso às imagens do pouso foi o diretor do Sindicato dos Aeroportuários Francisco Lemos:

– A única coisa certa é que ele estava muito acima da velocidade.

Lemos também acredita que, no último momento, depois de fracassarem as tentativas de parada, o piloto tentou arremeter. Neste esforço, as duas rodas traseiras derrubaram a mureta que escoa a água na cabeceira da pista.

– Não havia rastro da roda central. Por isso, é provável que ele tenha tentado subir de novo. Mas o piloto estava muito veloz para parar e sem potência para decolar. Ficou no meio do caminho – complementa.

Única certeza é de que avião iniciou pouso no lugar correto

Para o professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Respício Espírito Santo Jr., a nuvem de vapor dágua localizada na parte frontal da asa indicaria que pelo menos o reversor do lado esquerdo da aeronave estaria funcionando.

Opinião diversa tem o presidente do Sindicato dos Aeroviários, Celso Klafke:

– Não dá para ter certeza de que o sistema estaria funcionando.

No emaranhado de possibilidades, a única coisa com a qual os especialistas concordam é que o Airbus da TAM tocou a pista de Congonhas no local correto, dentro do limite de 300 metros do início da pista. O mistério será solucionado apenas após a análise dos dados contidos na caixa-preta.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Gazeta Admininstrator
Gazeta Admininstrator
152