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A triste ironia do filme ?Turistas?

Desde que eu lí, meses atrás, a sinopse do filme “Turistas”, produzido pela ultra-direitista Fox Filmes (do mega bilionário Rudolph Murdoch, um dos maiores aliados do Presidente George Bush), sabia que a polêmica seria muito grande.
Não deu outra, duas semanas antes da estréia, graças aos spots da TV e os trailers na Internet, o filme, um péssimo “thriller” que extrapola em todas as medidas a violência no Rio de Janeiro, está despertando paixões radicais.

A revolta é perfeitamente lógica. Algumas demonstrações e posicionamentos resultantes dessa revolta, nem tanto.
Alguns que se auto-definem como “defensóres da pátria” , querem a proibição do filme, como se fosse possível justificar qualquer tipo de censura. Outros, mais equilibrados, propõem que todas as pessoas que discordam desse uso de um problema social brasileiro como instruymento d eentretenimento barato, propõem o boicote ao filme.
Há ainda alguns mais “viajados” que enxergam nisso um “complô norte-americano contra o turismo no Brasil”. Certamente esse não deve ser o caso.

“Turistas” é uma produção destrinada a um segmento de público que nem dinheiro tem para ir ao Rio de Janeiro ou ao Brasil. É uma faixa de consumidores de violência barata, da “cota de sangue diária” e que floresce por conta da intolerável onda de violência e ignorância gerada pela comunicação de massa, sem massa cefálica.
Quem quiser, pode enxergar o filme como “apenas” uma exploração ultra-exagerada da má fama do Rio de Janeiro na área de violência. Mas é uma exploração burra, mal feita.
Certamente “Turistas” não presta nenhum serviço positivo ao Rio e ao Brasil, mas não creio que esteja qualificado para provocar uma “onda” de cancelamentos nas viagens internacionais de norte-americanos.

Não vejo a menor possibilidade de que esse filme possa gerar um sentimento “anti-Rio” como por exemplo “O Expresso da Meia Noite” gerou com relação à Turquia.
“Turistas é pura ficção e não há nenhum traço de qualidade de texto ou direção. É a brutalidade e a violência pela violência em si. Todo o impacto do conteúdo opressor, socio-ideológico que marcava “O Expresso da Meia Noite” passa a quilômetros de distância de “Turistas”.

Isso não quer dizer que não hajam prejuízos pelo simples fato do filme ser tão canalhamente explícito a um “temor perene” que existe, de fato, nas grandes metrópoles brasileira.
Já há muito tempo o turista internacional tem ciência dos problemas que podem, ocasionalmente encontrar e o volume de visitantes estrangeiros ao nosso país nunca parou de crescer desde 1995.
Entretanto, é justamente porque “Turistas” mete – sem ter nenhuma intenção positiva nisso – o “dedo numa de nossas feridas” que esse fato pode vir a ser positivo.

A violência no país é um problema sério e grave. Afeta o turismo? Certamente que sim.
Se tivéssemos em 2006 os índices de viol6encia que tínhamos em 1970, seríamos o país mais visitado do mundo? Talvez.
Mas o custo daquela “paz social” foi a ditadura militar.
Os lados bons e positivcos do Brasil são tão bons e tão positivos que vem desafiando há décadas os que anunciam a derrocada de nosso turismo internacional.
O filme “Turistas” é uma porcaria classe “Z”. Tipo de filme para quem vai ao cinema mergulhar em emoções baratasa e rápidas. Tal e qual “Anaconda” ou “XXX”. Descarga de adrenalina e sensacionalismo a preço baixo.

É péssimo que use um aspecto do Rio como pretexto para rotular toda cidade e o próprio país. Mas da mesma forma como Hong Kong sempre foi mostrada como encruzilhada de drogas, máfia e violência (que na verdade, sempre foi), da mesma forma que os sub-mundos de New York e Los Angeles sempre foram mostrados como violentos, brutais e ameaçadores. Hollywood se tornou é um abutre amoral e que só enxerga o tilintar das moedas. Já há bastante tempo não existem limites.
Que se lembre também que o Brasil tem uma das menos competentes e mais inconstantes políticas de promoção internacional da imagem do país, contrastando com o enorme potencial que temos, de norte a sul, leste a oeste, para sermos o número 1 em receptivo de turismo no planeta.

A violência maior não é a besteirada de “Turistas”, que já hjá, vai ser esquecida e virar folclore. Quem sabe até vai rolar uym novo “tour” oferecido a turistas estrangeiros jovens no Rio, o “Scary Tour”. Esse é o tempo em que vivemos, creiam-me.
A violência real é o total descaso da administração pública de nosso país com um profissionalismo criativo em função de mostrar o que o Brasil tem de maravilhoso, e não é pouco.
Se “Turistas” bem nenhum fizer, pelo menos terá “cutucado” a questão do impacto que a violência descontrolada das grandes metrópoles em especial, tem sobre um negócio multibilionário que é o turismo.
Mas eu continuo muito mais interessado e no impacto que a viuolência tem dentro do próprio Brasil.

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Gazeta Admininstrator
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