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A arte efêmera de Giannina

A liberdade da artista vem do sentido efêmero de seu trabalho. Dito assim, pode não fazer muito sentido, mas quem conhece o trabalho Giannina Coppiano Dwin – equatoriana radiacada há 30 anos nos Estados Unidos, e apaixonada pelo Brasil – logo entende do que se trata. Giannina é Mestre em Artes Plásticas na Flórida Atlantic University, e premiada por suas esculturas em açúcar e farinha. Isso mesmo, as fotos que você vê nesta página são de esculturas em açúcar!

O que mais impacta na arte de Giannina Dwin não é apenas escolha de materiais perecíveis mas o destino dado a eles. “Crio as peças no local onde serão exibidas, e quando termina a exibição faço performances para destruir as peças. E acaba sendo um momento muito intenso para todos. As pessoas sofrem porque são peças muito belas, e um trabalho incalculável. Às vezes passo um mês fazendo uma peça para destruir depois.Eu digo que não, mas sofro também, mas é parte da minha mensagem. Entre muitas outras coisas, o que tento dizer com o meu trabalho é que ele é belo. É como a vida, mas não é permanente”, explica..
Desde que optou por trabalhar com materiais perecíveis, a arte de Giannina tornou-se totalmente efêmero. “Isso me dá o prazer de não ter que vender, e de ninguém poder comprar. Ninguém pode ter o que é meu. Não tem valor comercial, não é um commodity. E isso me dá uma enorme liberdade de criar o que eu queira. Não preciso me preocupar com o mercado, o que as pessoas gostam ou não. E as pessoas gostam muito”, esclarece.

Libertação
Criada em uma família na qual o sonho dos pais era ter uma filha médica, engenheira ou advogada, Giannina desde criança sempre se encantou pelas formas e cores. Mas começou a estudar antropologia, e depois arte. E essa foi para ela uma viagem sem retorno. “Até alguns anos, eu produzia esculturas figurativas, mas quando preparava minha tese de formatura, comecei a buscar dentro de mim o que tento dizer com meu trabalho”, conta a artista.
Nessa busca, Giannina descobriu-se mais interessada no que se passa por dentro do ser humano. “Comecei a pensar em tra-balhar com os líquidos que o corpo produz, o leite materno, a capacidade de sustentar uma vida. A idéia do alimento, não só do corpo como do espírito, que é o apoio moral dado pelas mães aos filhos, entrou na minha arte. Assim comecei a fazer tapetes de farinha e açúcar, e esculturas”, explica Giannina.

Performances
As performances são, sem dúvida, o ponto alto de seu trabalho. São elas que emocionam de forma surpreendente o público, e acabam provocando sensações que, muitas vezes, transcendem os temas desenvolvidos diretamente pela escultora.
“A última peça que fiz tinha sete pés de comprimento. Quando se olhava de perto parecia uma renda muito fina. Destruí tudo enterrando ela em mais açúcar, fui apagando as formas. Estava vestida de cinza bem escuro, e fui derramando o açúcar. É um silêncio absoluto.
As pessoas sentem ansiedade por eu estar destruindo uma coisa muito bonita, e começam a aflorar sentimentos de destruição, beleza e fim. Acho que os artistas, tradicionalmente, são os críticos da sociedade. E essa é a minha forma de expressar os meus pensamentos e dizer: – É bom parar de vez em quando e refletir sobre como a vida é bela e passageira”, finaliza.

Etéreo, mas sólido
A qualidade do trabalho de Giannina rendeu a ela, no ano passado, prêmio oferecido pela National Endowment for Arts, agência federal norte-americana que provê fundos para agências culturais da Flórida. “Este é um prêmio muito raro e cobiçado”, afirma a artista, que em breve estará participando de um grande projeto público no sul da Flórida.
Em setembro ela estará expondo no Equador, sua terra natal, no prestigiado Museu Municipal de Guaiaquil, e terá toda a área de artes contemporâneas para mostrar sua arte. “Estou muito feliz porque lá ninguém me conhecia. Já expus no Brasil, mas no Equador será a primeira vez”, diz. (Letícia Kfuri).

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Gazeta Admininstrator
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