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Mães desrespeitadas pelos filhos

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Há mães que sofrem abuso e bullying por parte dos filhos. Filhos que desconsideram tudo o que a mãe fala (mesmo após passada a adolescência), filhos que se aproveitam da disponibilidade dela, do amor que elas têm por eles. Filhos presos em comportamentos neuróticos e agressivos que não querem enxergar e que prejudicam as relações familiares, e seus próprios filhos se por (des)ventura os tiverem. Filhos, enfim, que tratam a mãe como uma serva e uma idiota.
É importante entender o pano de fundo do problema. As crianças aprendem a se relacionar com os pais (portanto com a mãe também) a partir de duas experiências: 1) de como os pais as tratam; 2) de como o pai trata a mãe (e de como esta trata o pai). Não se escapa.
Portanto, uma mãe que não é respeitada pelo filho é uma mulher que não foi respeitada pelo marido. E, consequência/causa disso é uma mulher com baixa autoestima, que por falta de recursos sociais ou psicológicos foi colocada para baixo.
Nada disso justifica um filho maltratar a mãe, mas certamente endossa um potencial nocivo que estava presente.
O que fazer?
Como primeira coisa, se deve implementar aquele respeito que faltou – e fazê-lo com a firmeza e lucidez proporcional ao tamanho do desrespeito. E, nesse sentido, aprender a calar e se distanciar. Calar serve para que, quando formos emitir algum som, o outro preste atenção. Distanciar-se cria o vazio que valoriza quem faz falta.
É também importante não se deixar usar, porque servos, por definição, não valem nada. Não se valoriza quem está sempre à disposição, mesmo quando é maltratado. Se, mesmo assim queremos ajudar, porque há netos ou porque o filho precisa muito, o façamos, mas com dignidade e gravidade, mostrando que não somos estúpidos, e aí voltamos à nossa vida.
A maternidade vira veneno quando o coração de mãe endossa comportamentos prejudiciais tanto para o filho quanto para os outros em volta do filho. Uma mãe precisa ter consciência disso e aprender a tocar a música que quer que o filho aprenda.
Agora, o que fazer quando o filho já é adulto e tem por sua vez filhos que sofrem as consequências de sua irresponsabilidade? Uma mãe desrespeitada é impotente diante disso porque pela falta de respeito do filho, ela não tem credibilidade. Tudo o que falar será desconsiderado.
A essa mãe resta tentar semear nas cabeças e corações de seus netos valores que possam um dia vir a desabrochar trazendo-lhes novas visões, que possam lhes ser úteis. Mais do que isso é geralmente impossível; brigar não adianta, só fortalece a muralha neurótica do filho.
Como mãe, enfim, precisamos entender algumas coisas: 1) que não somos onipotentes; 2) que nem todos os problemas de nossos filhos existem por nossa causa, mesmo com os defeitos que temos; 3) que os filhos têm pelo menos metade da carga genética e problemática do pai; e enfim 4) que essas criaturas não nascem “tabula rasa”; que eles têm seu próprio percurso de alma e que “crescer torto” é também uma escolha deles (mesmo que inconsciente) – e o mesmo vale para os filhos desses filhos. As almas se atraem.
Fazemos o nosso melhor, mas não podemos salvar ninguém. O que, porém, podemos e devemos fazer é nos respeitar. Somente assim teremos talvez a chance de transmitir às pessoas que nos são mais queridas as pérolas de sabedoria que anos de vida e tribulações nos ensinaram.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Life Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-EUA. Contato: +1-561-3055321 - www.adrianatanesenogueira.org.
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