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Fora tudo e todos. O lema de nossa época

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Segundo Zygmunt Bauman, o mundo está em alta velocidade indo contra a parede, mas não sabemos quando ocorrerá a definitiva colisão e o que dele restará, mas estamos em alta velocidade produzindo relações, culturas e conteúdos cada vez menos duradouros no contexto de uma época que o próprio sociólogo polonês se referia como “Modernidade Líquida”. Se fosse possível viajar para o futuro, seria interessante assistir a uma aula de literatura ou de história das artes em pleno ano de 2100 e poder escutar dos acadêmicos do futuro o verdadeiro nome e a problemática de nossas atuais fases social, política e artística na qual vivemos na primeira metade do século XXI.

Poderíamos batizá-la de “ultra pós-modernidade” marcada pela insegurança física e virtual, pela pressão do capital sobre o tempo do homem, pela fluidez de mercados, pela inconstância de resultados e soluções no panorama político, social e econômico dos países e, mais notadamente, pela instabilidade profunda do espírito humano, mesma instabilidade detectada através de relações passageiras e projetos provisórios de vida. Além da necessidade de adquirir constantemente novas habilidades onde o próprio conhecimento se torna ultrapassado a cada segundo e onde não há emprego e nem aposentadoria definitiva.

O próprio Bauman declarava que quando ocorrera a Revolução Industrial, o mundo não sabia que aquela época se chamaria “Revolução Industrial”, muito menos as rupturas positivas e negativas que aquela revolução poderia gerar no homem e na natureza. Mas, a nossa grande preocupação, além de recuperar o planeta Terra da poluição e um dia encontrar água potável em Marte, é salvar a nossa relação com a vida e com a sociedade.

Acreditamos que, atualmente, o ser humano está perante um universo infinito de informações, tecnologias e escolhas e, ao mesmo tempo, a partir do vazio de sua alma (pois informação nem sempre é conhecimento e escolha nem sempre é felicidade) o ser humano se sente incapaz de acreditar no outro e de realizar melhores escolhas de caminhos para a sua individualidade e coletividade. Por enquanto é assim que caminha a humanidade.

A aparente felicidade oriunda de ruas comerciais luminosas, pontos turísticos, dinheiro e liberdade sexual presenciados nas principais capitais do planeta a favor do mercado e de suas ofertas específicas feitas sob medida para escolhas pessoais e consumistas esconde o descontentamento individual e coletivo (coletivo quando uma mesma dor também é reconhecida no outro). Se ainda não vivemos sob a égide do “ultra pós-modernismo”, com certeza estamos na “era do escândalo” e do “esvaziamento” de todos os falsos valores que construímos entre os séculos XIX e XX logo depois daquela Revolução Industrial que iniciou o enfraquecimento da natureza, do homem e da sociedade, ao mesmo tempo que fazia a economia e a condição de vida moderna evoluir mais rápido.

Esse atual esvaziamento social e cultural se utiliza da mesma velocidade da informação, das tecnologias e dos interesses individuais para trazer à tona as verdades e as mentiras de um governo, empresa, bancos e de qualquer ser humano que não respeita o interesse comum, as necessidades da sociedade e o código de ética prescrito na legislação de um determinado país. Nesse atual estado e situação, os indivíduos buscam as redes sociais e as ruas para protestarem contra os abusos políticos e econômicos cometidos por autoridades e falsos ídolos contra o interesse comum e social, o mesmo interesse comum nunca previsto por aquela mesma Revolução Industrial, pela velocidade da informação e pelos falsos valores que a civilização humana instituiu nos séculos XIX e XX, sejam valores de esquerda, de direita, cristãos ou ateus. Precisamos ser repetitivos para entender.

E nesse curso diversificado de protestos sociais a favor da saúde, da educação, da segurança e do meio ambiente todos os seres humanos gritam “Fora” para os presidentes, ditadores e más corporações de seus países, de suas assembleias constituintes, de seus clubes de futebol com todas as razões do mundo na tentativa de colocar para “Fora” o mundo de nosso próprio planeta. Esse mundo que ninguém mais aguenta com seus líderes formados pelos mesmos falsos valores que a civilização humana construiu nos séculos XIX e XX logo depois da Revolução Industrial e os reforçou depois de duas guerras mundiais. E o mundo continua sendo feito de extensas repetições que atentam contra a vida e seus valores naturais.

Ainda, como sociedade, acreditamos em falsos heróis. Acreditamos que tudo pode ser para sempre. Acreditamos que a felicidade pode ser coletiva. Acreditamos que o governo pode ser melhor. Acreditamos que podemos recuperar as florestas. Acreditamos que todos podem ser iguais perante a lei. Acreditamos que podemos ser até melhores. Acreditamos, acreditamos, acreditamos…Enquanto isso os direitos humanos e a natureza está em último lugar pela nossa omissão de esperar algo perene dos falos ídolos que estão no poder.

Quando existe uma crise, eles (os líderes) sempre inventam uma guerra. E os verdadeiros valores se perdem. Nós, seres humanos, estamos por fora. Construímos um mundo para destruir um planeta.

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Fernando Rebouças
Fernando Rebouças
Fluminense, da cidade de Niterói-RJ, desde a infância desenha e cria os personagens da turma do "Oi! O Tucano Ecologista", publicadas em diversos jornais e revistas renomados. Os personagens também viraram gibi e e-books.
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