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Manchester: Eles atacaram covardemente outra vez…

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Por Andréa Nakane e Igor Pipolo

Os lobos solitários, pessoas que seguem determinadas facções ideológicas e agem por conta própria, cometendo ataques violentos e trágicos, espalhando terror por onde passam, são na atualidade umas das mais latentes preocupações que assolam o universo de eventos.

Foi-se o tempo em que uma determinada localidade poderia sinalizar que sua extensão territorial estava liberta de atos terroristas. No mundo global, onde as fronteiras simbolicamente inexistem, há espaço aberto para comportamentos que incitem transformações que visem o bem-estar em escala maior, porém, de forma dicotômica, a vulnerabilidade e insegurança também se posicionam como atributos que assolam as políticas públicas e privadas e estão na pauta de todos os dias dos principais gabinetes dos líderes internacionais.

Os eventos – há muito – tornaram-se um alvo potencializador de ataques terroristas, pois combinam variáveis relacionadas à dimensão de público, em contingente considerável, fato que impulsionará o impacto com a fatalidade produzida, tendo a velocidade das telecomunicações e plataformas digitais como propulsor para atingir – muitas vezes em tempo real – uma maior comoção, além do destino atingido.

Na noite da última segunda-feira, 22, um jovem britânico de 22 anos, de origem familiar libanesa, explodiu uma bomba caseira na Manchester Arena. A ação ardilosamente planejada resultou em um rastro de pavor e perturbação pela morte de 22 pessoas e dezenas de feridas, na maioria delas adolescentes e crianças que ali estavam para se divertir, inocentemente para vivenciar um momento de alegria e encantamento junto à Ariana Grande, uma celebridade pop do universo jovem.

Embora não seja ainda conhecido o tipo ou quantidade de explosivo utilizado, a análise das imagens feitas pelos peritos revelou que foi feito “com reflexão e perícia”. A bomba pode ter sido transportada num saco ou mochila e não num colete. Foi suficientemente potente para ter atirado metade do corpo do suicida para longe do local da explosão e ter atingido pessoas num grande raio, onde estavam a maior parte das 22 pessoas que foram mortas e as mais de 50 que ficaram feridas. Segundo especialistas, a bomba tinha vários sistemas diferentes de detonação e uma bateria mais potente do que as que são normalmente usadas.

O momento é de oferecer toda solidariedade as vítimas e apurar com rigor os acontecimentos dramáticos, mapear as vulnerabilidades, fomentar novas atitudes, endurecer a punição aos culpados (incluindo as facções) e implantar realmente uma nova cultura preventiva (ex: detectores de metais e explosivos, tecnologia associada a banco de dados de criminosos, Serviços de inteligência e outras tantas medidas), como também reativa (ex: grupos de intervenção), na qual a segurança realmente seja potencializada, sem tornar-se item de cortes de orçamento, na incansável busca de “savings” que regem o mercado de eventos, em época de crise econômica. Segurança do público em primeiro lugar.

Mas é preciso que os produtores e autoridades, em especial o Ministério Público, entendam que os processos de Segurança seja liderados de forma responsável e comprometida, por profissionais capacitados e experientes, não dá para fazer algo só por fazer. Sabemos que em casos de aglomerações, as revistas feitas no controle de acesso aos eventos são ainda, em muitos os casos, uma espécie de figuração mecanicista – faz de conta, sem sua real funcionalidade preventiva. Esse é só um exemplo do quanto ainda precisamos evoluir para tornar os eventos mais seguros.

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Igor Pipolo
Igor Pipolo
Igor M. Pipolo, ADS, ASE, é CEO da Nucleo, Inc e Diretor da SEKURA (EUA) e diretor do Departamento de Segurança da FIESP. Professor convidado da Universidad Pontificia Comillas de Madrid/Espanha. Sócio-fundador e ex-presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança. Ex-presidente da American Society for Industrial Security.
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