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Rosana Brasil: Morte, um ponto no infinito

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Convido você a refletir sobre a dor e o sofrimento sentidos quando se passa pela experiência de perda de ente querido. Todos nós temos experiências boas e tristes durante o decorrer da vida, e há o consenso de que se sentir triste é normal quando uma pessoa sofre esse tipo de perda.

A morte é inegavelmente onipresente; no entanto, é um dos acontecimentos da vida que evitamos falar ou mesmo pensar. O fato de se falar sobre o tema morte pode ser um desafio para muitos. Para algumas pessoas, essa experiência pode ser mais dramática, ditando seu comportamento em sociedade.

Recebemos de nossas famílias uma variedade de mensagens, de forma explícita ou implícita, sobre a questão da última experiência de vida, sobre o momento quando adormecemos pela última vez.

Se consideramos a morte como um “Pavão Misterioso” que nos busca na escuridão da noite, como na música do cantor Ednardo, com certeza o impacto da perda é avassalador. No entanto, se aprendemos a ver a morte não como “destruição”, senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada”, como disse o escritor e catedrático francês Allan Kardec, o impacto da perda é dolorido, porém, aceitável e temporário.

Consequentemente, é importante refletir sobre o nosso primeiro encontro com a dor da perda de um ente querido. Qual seria ou foi sua reação? Qual seria ou foi a reação daqueles que o rodeiam? Muitos se perguntam como seria ou será possível continuar vivendo após a perda de um familiar, e evitam falar sobre o assunto a todo o custo; outros não sabem como parar de falar sobre esse assunto.

Quantas histórias escutamos sobre a morte e sobre o quê acontece depois de morrermos? Essas histórias evoluíram e mudaram ao longo dos anos ou permaneceram as mesmas? Quais pessoas e eventos contribuíram para a criação de nossa percepção e interpretação da morte, sobre a perda ou de como dizer adeus para sempre? Como fomos influenciados através da leitura, da mídia, das crenças religiosas, da nossa própria saúde ou da morte de alguém próximo a nós?
Ponderar sobre estas perguntas pode habilitar a pessoa a entrar em contato com crenças pessoais sobre a morte, bem como ajudar a enfrentar a perda de um familiar, talvez por medo da solidão e pela dúvida que corrói a fé na promessa do reencontro.

Seja qual for o motivo, a dor da perda é incontestável, visto que relacionamentos são a essência do mundo vivo e que comunicamos as nossas experiências contando histórias sobre nossa existência e sobre a existência dos outros.

E, nesse processo de viver, nossas vidas são tocadas e transformadas, dando ao ser humano a oportunidade de suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo pelo qual encara a vida e a morte. “Se o indivíduo encarar a morte pelo prisma da vida espiritual, ele verá a morte como um ponto no infinito e compreenderá que este penoso momento não será infinito, porém necessário e temporário” (Kardec, p.261).

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Rosana Brasil
Rosana Brasil
Rosana Brasil é terapeuta de Matrimônio e Família, formada pela Universidade Católica St. Thomas, em Miami. Trabalha ajudando indivíduos e famílias a reconstruírem suas histórias de vida de maneira positiva e criativa.
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