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A instabilidade política da América do Sul

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Corrupção no Brasil. Turbulência na Venezuela. É preciso muita coragem parar para pensar sobre a situação política e econômica atual de países da América do Sul. A crise que atinge partidos políticos e a sociedade na região tem mudado o seu perfil.

Fazendo um panorama sobre o que anda acontecendo pelos países sul-americanos, temos mudanças recentes no cenário político. Em questão de dias, um Congresso queimado no Paraguai, uma acusação de golpe de Estado na Venezuela, uma eleição presidencial contestada no Equador, dois grandes protestos de rua na Venezuela e na Argentina, além de um fluxo contínuo de graves acusações de corrupção no Brasil e de muito debate polarizado acerca dos rumos políticos que a região toda está tomando.

Renata Peixoto de Oliveira, mestre e doutora em ciência política, membro do colegiado do curso de relações internacionais e integração da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) explica que o panorama atual da América do Sul “é bastante imprevisível e instável pelo descrédito das instituições e das lideranças políticas, do modelo de democracia representativa em si e, de uma maneira geral, de todo o regime republicano construído a partir das transições democráticas nas décadas de 1980 e início dos anos 1990”.

Todo país precisa de mudanças justamente para garantir o seu desenvolvimento. No caso dos países democráticos, como o Brasil, estamos diante de uma crise de legitimidade dessa democracia, onde a alternância de poder é um dos pontos-chave e há um questionamento sobre o regime democrático de governo.

A influência do Brasil como líder regional
O Brasil é um líder político regional e a maior economia da região, que, ao enfrentar uma crise política, acaba por influenciar os países vizinhos. A cada retrocesso brasileiro, não é apenas a imagem do país e da região que ficam prejudicadas, mas se abre espaço para que práticas, políticas e retrocessos ocorram em outros países.

No Brasil, vê-se toda a cúpula da política nacional citada nas delações dos executivos da empreiteira Odebrecht. Revelada na última semana, a chamada lista de Fachin inclui 8 ministros de Estado, 3 governadores, 24 senadores e 39 deputados. São, no total, 98 investigados com foro privilegiado. Pedidos de investigação foram abertos também para os ex-presidentes Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e que foi preponderante para a queda de Dilma Rousseff, foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão.

Cabe lembrar que, inicialmente, a lista não configura acusação nem condenação, apenas autoriza a investigação dos políticos citados, a partir de informações obtidas por meio das delações. Os brasileiros encaram, assim, um período de indignação ao se dar conta de que toda a cúpula política está arraigada nos escândalos de corrupção.

Com seus países passando por momentos incertos, a integração e fortalecimento da América do Sul está abalada. Ao projetar regionalmente a agenda desses novos governos, percebe-se que os perfis do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) da última década não estão mais como antes e um reposicionamento de seus papéis é quase certo. O que antes era uma política de segurança sul-americana comum, atualmente está sendo colocada em segundo plano devido aos problemas internos enfrentados por cada país. É preciso salvar-se primeiro para depois ajudar ao vizinho.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
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