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Adriana Nogueira: Mulher, loucura é sua revolução

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No jargão popular machista, quando uma mulher incomoda, recebe dois apelidos: “chata” e “louca”. Ela é “chata” quando “reclama” e “louca” quando se expressa.

Assim como a “manha” da criança, a “reclamação” da mulher nasce de um lugar muito mais profundo do que parece. Um lugar que quer ser ouvido, que precisa de legitimação. Mas a voz verdadeira não sai e o conteúdo interior não reconhecido incomoda e aproveita qualquer brecha para se manifestar, e aí sai como “manha” ou “reclamação”. Por outro lado, quando a mulher fala o que pensa e expressa o que sente é chamada de “louca”.

Dizia Silvia Montefoschi, psicanalista italiana (1926-2011), que os homens amam os homens e transam com as mulheres. Com essa frase paradoxal, ela apontava para o fato que o amor dos homens é pelo masculino, pelos valores, atividades, modo de pensar, de ser, de sentir masculinos. Em seu mundo, a mulher é um alienígena, objeto de desejo, mas também ser incompreensível. Alguém que não se sabe como “administrar” e que também não se tem lá tanta vontade de entender porque isso levaria o homem a sair de sua zona de conforto. E nós sabemos o quanto confortável é esse lugar! Ser homem é nascer com privilégios.

Até os homens não aprenderem a amar as mulheres – isto é, a amar o feminino, os valores femininos, as prioridades, o modo de sentir e de pensar femininos – elas continuarão a ser loucas e chatas. Mas, como poderão os homens amar o feminino se as mulheres ainda não o fazem?

A sociedade está pautada sobre valores masculinos diante dos quais a mulher e sua vida são secundários, um empecilho até – como fica claro quando um jogo de futebol vale mais do que a morte (com esquartejamento) de uma mulher pelo goleiro que é contratado e aplaudido ao assumir o homicídio.

Toda mulher, consciente ou inconscientemente, sabe que corre um risco ao se opor à vontade masculina. Seu medo é instintivo e baseado em milhares de gerações de mulheres antes dela. O preço da desobediência ao macho é sempre altíssimo. Teme pagá-lo ou inconsciente das consequências se omite e se faz cúmplice para conseguir “um lugar ao sol”. Com isso, vende sua alma ao diabo. O machismo se sustenta graças a uma ampla base feminina. Nesse 8 de março, vamos ser honestas e dizermos que: algumas mulheres conquistarm direitos para todas. Não ganhamos mais, porque não somos todas ainda.

Eis o sonho de uma mulher em seu caminho de individuação: “Há uma pedra que os homens precisam e que somente as mulheres podem lhes dar. Essa pedra é a criptonite, que é a pedra do Superman, a que lhe tira os superpoderes. Mas elas dizem que “eles não merecem”. A sonhadora, entretanto, consciente da necessidade de levar adiante essa missão, vai atrás da pedra e a consegue e descobre o quanto isso é difícil.”

As mulheres têm “dó” dos homens, dó de mostrar a eles que são humanos e não superheróis, dó de desmontar a fantasia do Superman. Mas é preciso fazer isso, fazer o herói cair do cavalo, como diz o sonho de um homem em análise: “Ele se vê tendo que carregar para cima e para baixo um boneco inflável do Superman. Sente-se exausto”.

As mulheres maternalmente protegem os homens de suas verdades e, assim fazendo, supercarregam-se e se colocam para baixo. Para desmascarar o rei e mostrar que está nu, e que não é nenhum superhomem, é preciso da coragem que vem da consciência de que só elas podem parir um mundo novo. Um mundo onde ele se livra de seu complexo de superioridade e ela aquele de inferioridade.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Life Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-EUA. Contato: +1-561-3055321 - www.adrianatanesenogueira.org.
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