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O Estado de cócoras

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Por Henrique Matthiesen*

O ano de 2017 começou com a brutal realidade do sistema prisional brasileiro onde o crime organizado manda e desmanda à mercê do Estado, mas não é apenas nos presídios que o crime manda. Em vários “territórios” pátrios a lei é eles.

Vale lembrar que a maior organização criminosa do Brasil tem sua gênese nos governos do PSDB de São Paulo. Lá nasceu, se desenvolveu, ganhou musculatura, e se expandiu; marca indelével da falta de sensibilidade e cumplicidade das autoridades paulistas.

Antes, filhos da miséria e do descaso eram invisíveis às políticas públicas. Hoje, ricos e poderosos controlam o mercado milionário das drogas, e espalham o medo na sociedade, pois são extremamente racionais e muito bem armados.

Trabalham nas duas vertentes sociais, se fortificam na ausência estatal nas periferias e favelas brasileiras, e vendem suas mercadorias, “drogas” aos filhos da classe media hipocritamente refém da indústria do narcotráfico.

Intelectualizadas, as grandes lideranças destas organizações compreendem perfeitamente como funciona o sistema político e as mazelas sociais, o que as elevam em vários casos a condições de heróis nas marginalizadas periferias, e sujeitos poderosos na mesa de negociações com os governos.

Cientes de que nas cadeias o Estado tem a obrigação constitucional de manter suas integridades físicas, debocham: “na cadeia vocês não podem entrar e matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora.”

Administradores de uma espécie de “empresa” ágil e moderna onde a regra é seguida fielmente pelos seus partícipes faturam milhões e escancaram o Estado quebrado, ineficiente, burocrático, e corrupto.

Superstars glorificados pelo sensacionalismo midiático irresponsável utilizam os horários nobres da televisão para demonstrarem suas riquezas e o poder bélico. Humilham sistematicamente o sistema, colocando-os de cócoras.

Os períodos de “paz” são devidos, não a inteligência estatal ou sua ação no combate às organizações criminosas, mas devido à estratégia utilizada pelos chefes das quadrilhas que estão a serviço dos chefes encarcerados que usam as repartições públicas”cadeia” como seus escritórios.

Insolúvel na perspectiva de curto prazo, ficamos reféns deste cenário de cabeças decapitadas, de violência desmesurada, e de palavrórios infecundos de nossas autoridades cúmplices, ou por omissão ou por própria ação, na sustentabilidade destas organizações que de fato mandam e desmandam.

Esta é uma das piores heranças malditas de governos covardes e corruptos que o Brasil vem gerando nos últimos tempos.

*Henrique Matthiesen é bacharel em direito.

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