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Nem todos gostam de você, e daí?

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Todos queremos amor. Amor se expressa na união. Em família, entre amigos, com o(a) esposo(a), com os colegas. É da natureza humana querer estarmos juntos. Para que isso aconteça, porém é preciso que gostemos e sobretudo sejamos gostados. Assim como buscamos a união, buscamos ardorosamente ser amados, aceitos, gostados pelos outros. E aqui começam os problemas.

Nem todos gostam da gente, assim como nem de todos nós gostamos. Por mais esforços que façamos, não é possível gostar de todo mundo. Somente pela hipocrisia conseguimos fingir uma simpatia e interesse que não temos. O que interefere é nossa diversidade. Somos diferentes uns dos outros, e não só nas coisas mais simples, como diferentes gostos de comida ou torcida de time, somos diferentes nas escolhas de vida, na visão de mundo, na ética e prioridades. É aqui que os problemas se fazem mais dolorosos.

Muitos confundem união com fechar os olhos, outros confundem ser a si mesmos como isolar-se e “mandar todos àquele lugar”. Todos sofrem. Não temos como estarmos bem com os outros sem antes estarmos bem conosco, precisamos sentir um mínimo de coerência e integridade interior, porque viver na hipocrisia não se sustenta por muito tempo. Por outro lado, o rancor que o não se sentir aceitos produz machuca a alma de cada um.

A solução para esse dilema muito humano começa por um processo interior de se aceitar. Naturalmente a aceitação do outro vem primeiro, pois tudo começou lá na primeiríssima infância, quando a aceitação dos pais era indispensável e o primeiro passo para todos os outros na vida. nem sempre aquele primeiro passo foi dado, como se diz, como o pé direito. Mas qualquer que tenha sido nossa história pregressa, uma certa hora o problema é nosso. Todos nos defrontamos com a questão de nos aceitarmos, ou seja, precisamente: aceitarmos como diferentes dos outros. Aceitar nossa diferença, nossos desafios, nossas dores, nossa sensibilidade, nossa angústia, nossos anseios, nossas vozes internas que não calam, nunca. Aceitar-se e somente então começarmos a nos amar.

Está aqui o fundamento da real possibilidade de conviver pacificamente com os outros. Aceitar-se e amar-se faz toda a diferença. Somente nessa condição é possível aceitar o não amor do outro, a não preferência do outro. Somente assim é possível “viver e deixar viver”. Sem precisar de hipocrisia.

Se trata de um gigantesco passo ético e responsável de cada indivíduo e do grupo como um todo. Muitos dos conflitos familiares e sociais nascem justamente porque uma pessoa não se sente aceita. A dor da rejeição escala numa angústia interna que se torna insuportável e leva a medidas drásticas que não resolvem de fato nada, só aprofundam a ferida. E todos sofremos.

Frequentemente, a situação é mais fácil de se consertar do que parece, mas a dor tende a nublar a visão, rende cegos. A ferida precisa ser curada e isso ocorre quando, após o primeiro passo dito acima, nos comprometemos na criação de uma dimensão de unidade na qual o diferente seja realmente possível, na qual não precisamos nos sentir amados por todos. Na verdade, que algumas pessoas não gostem da gente é um sinal de que estamos no caminho certo! No nosso. O importante é respeitar-se e aceitar que há uma variedade enorme de possibilidades de ser, e sobretudo de sentir e interpretar o mundo.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Life Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-EUA. Contato: +1-561-3055321 - www.adrianatanesenogueira.org.
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