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Por que escrever traz muitas dúvidas?

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545499281_9d560e9837_oDúvidas e mais dúvidas gramaticais. Essa é a realidade linguística da maioria dos brasileiros falantes de Língua Portuguesa. São regras, exceções e determinações complicadas que, muitas vezes, acabam mal entendidas. O falante fica, então, perdido e com medo de escrever.

Diariamente, como professor, recebo centenas de mensagens com relatos de brasileiros que se dizem incapazes de escrever um bom texto em português por conta da quantidade de regras existentes. E isso é um verdadeiro absurdo. Como uma pessoa pode ter medo de se comunicar em sua própria língua? Alguma coisa não está certa. Será que é a forma de ensinar? Será que é a língua que tem muitos problemas? Será que os estudantes são preguiçosos?

Sinceramente, acredito em aprendizagem com entendimento e não com as famosas “decorebas”. Quando um aluno vê sentido na explicação, tudo se torna mais coerente e real. E se o idioma é considerado como prática social de comunicação, então vamos praticá-lo! Veja um exemplo bem simples.

Em sala de aula, um professor pergunta a seus alunos:

Qual o plural de mão?

O aluno “Joãozinho” responde:

Mãos!

E qual o plural de pão?

Ele não tem dúvidas e responde:

Pãos!

Aí vem o professor e diz:

Não! Está errado! O plural de pão é pães!

Joãozinho, rapidamente, questiona:

Mas professor, se as palavras mão e pão são escritas do mesmo jeito, por que o plural é diferente?

O professor afirma: “É a regra. É assim. Precisamos aprender dessa forma. Você precisa saber os plurais corretamente, e este plural é assim mesmo. Plural de mão é mãos e de pão é pães.”

Daí pra frente, no caminho de estudos do Joãozinho, centenas de outros exemplos acabam com a resposta: é assim e pronto!

Agora, veja como dá para entender sem decorar.

O plural de mão é mãos, pois essa palavra é originada da forma latina “manus”. Não é por acaso que, quando você fala que algo foi escrito com as mãos, você diz “manuscrito”. Aí, o “N” de “manus”, que está entre duas vogais, cai, mas conserva o som nasal que, em Língua Portuguesa, torna-se o famoso acento til (~). Por isso, fica MÃOS. Repare, ainda, que o formato do til (~) é bastante similar à letra “N”.

E pães, como fica? A palavra também tem origem latina. Porém, da forma “panis”. Por isso, uma padaria recebe o nome de “panificadora”. Igual ao exemplo anterior, o “N” de “panis”, que está entre duas vogais, sai e conserva, em língua portuguesa, o som nasal marcado pelo acento til ( ~ ). Por isso, fica PÃES.

Alguns podem dizer: como explicar isso pra um adolescente? Não é uma explicação muito complicada? Eu respondo com bastante tranquilidade: não! Atualmente, eles entendem conceitos muito mais complexos. Qual seria o problema de explicar pra ele que a Língua Portuguesa tem uma mãe, o latim, que gerou a maioria das palavras que ele conhece?

Faço aqui um convite. Vamos parar de decorar as regras e buscar o entendimento? Com certeza, encontraremos algumas exceções. Mas em número muito menor do que aprendemos desde criança. A língua portuguesa precisa ser entendida, e não decorada.

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese. Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
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