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2006: um passo à frente para Os brasileiros na América

Como analisar de forma objetiva o “balanço” do ano de 2006 para a comunidade brasileira que vive em território norte-americano?
Certamente a conquista da sonhada Anistia imigratória ou qualquer lei similar que legalizasse os milhões de imigrantes indocumentados, não foi possível. Ainda.

Certamente os direitos das minorias e o direito básico dos mesmos imigrantes à luta por uma vida melhor e pelo “American Dream” pareceram mais frágeis e menos possíveis.
São visões claras, nada otimistas, e que tocam no ponto mais crucial da existência da própria comunidade, que é a evolução de uma condição “transitória” para outras condições, mais permanentes ou, no mínimo, de médio e longo prazos.

Mas são também, visões imediatistas. Que não se beneficiam da observação ampla e de longo curso.
A comunidade brasileira vem crescendo nos Estados Unidos. E isso não tem nada a ver com o crescimento volumétrico, populacional, entrando pelas “porteiras” legais ou ilegais que sejam. O crescimento a que me refiro é maior e mais contudente, apesar de ainda quase imperceptível para os menos cuidadosos. É um crescimento de visibilidade. Político até, apesar de sermos “quase zero” ou “abaixo de zero” em termos de ação política dentro da complexa arena lobística dos Estados Unidos.

Houve um tempo em que não gerava nenhum interesse ou causava ressonância, numa roda de brasileiros em Miami ou new York, Los Angeles ou Boston, especular sobre um “futuro” da nossa comunidade neste país. O exemplo de comunidades outras como a italiana, grega, portuguesa, irlandesa e até russa, não nos servia nem como exemplo e menos como estímulo.
O “atrelamento” emocional do povo brasileiro ao seu país sempre foi e continua sendo fortíssimo. É bom que seja assim. Mas se antes havia uma “mecânica de negação automática” à qualquer possibilidade de permanecer “de vez” na América, hoje, fatos e realidades geraram uma nova situação.

2006 foi um ano que iniciativas históricas na comunidade. Ainda tímidas, inseguras e carimbadas pela habitual desconfiança e “má vontade” de setores importantes da própria comunidade, essas iniciativas estão longe de se considerarem sólidas. Muito pelo contrário. São sementinhas frágeis e que estão ainda numa fase em que precisam de atenção, cuidado e pouco questionamento para que se tornem projetos reais de representatividade.
Essas iniciativas estão localizadas em setores vitais, como a representação comunitárias nas diferentes regiões consulares brasileiras em território norte-americano. Vivendo há duas décadas neste país, somos testemunhas das importantes e quase revolucionárias mudanças que têm ocorrido na condução dos assuntos dos imigrantes brasileiros, dentros dos consulados gerais. Onde havia silência e seimportância, hoje há atenção e respeito.
Tudo ainda distante do ideal. Mas muito mais distante, sem dúvida, do descaso de anos atrás.

Outras iniciativas vieram da sociedade civil, através de surgimentod e idéias poderosas como a Associação Brasileira de Imprensa Internacional. Destinada a congregar os veículos de comunicação comunitários brasileiros, essa instituição, em fase de gestação e liderada por um grupo de pioneiros, tem o potencial para se tornar uma das mais fortes e preponderantes vozes em favor dos brasileiros, em todo o mundo.
Não se surpreendam com essa “visão otimista”.
Se contar com o devido respaldo das organizações de comunicação que atuam na comunidade brasileira nos Estados Unidos, a ABI-Internacional se tornará grande e influente, respeitada e fonte de referência, para todo e qualquer tema relacionado com o Brasil, no planeta.

Um terceiro e importantíssimop vetor desse processo em 2006 foi a consolidação dos nossos maiores e mais importantes eventos culturais e comunitários. A reafirmação de nossa identidade cultural, traduzido em seminários, festivais e celebrações acentua um lado de originalidade e “positiva diferença” a favor de nossa comunidade.
Somos Latinos, mas não somos Hispânicos.

Somos Ibéricos, mas acima de tudo Brasileiros, com nossa raiz forte.
Nosso idioma e a defesa dele em todos os sentidos, é a nossa maior arma, nosso mais forte traço-de-união.
Estamos, lenta mas firmemente, emitindo os sinais de vida inteligente que temos em nosso grupo social. Sinais do espaço que desejamos ocupar, do respeito que merecemos e da contribuição que ansiamos em dar.
Com certeza a labuta do dia-a-dia transforma questões “macro” em filosofia de editorial. Não me assusto com isso.
Tempo, tempo, tempo, tempo.

O tempo conspira a favor da presença brasileira na América e esse é um dado altamente positivo que trazemos de 2006 para 2007.
A luta continua e a chama está mais acesa do que nunca.
Feliz Ano Novo e muito trabalho pela frente na construção de um “Brazil com Z” forte e determinante.

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Gazeta Admininstrator
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