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15 estados e DC processam governo Trump pelo fim do DACA

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Quinze estados e o distrito de Columbia entraram com processo na quarta-feira, 6, para bloquear a decisão do presidente Donald Trump de acabar com o DACA – Deferred Action for Childhood Arrivals – o programa que protege os jovens imigrantes da deportação -que teve o fim anunciado na última terça pelo presidente caso o Congresso não resolva o impasse em seis meses.

O processo foi instado no Distrito Oriental de Nova York e tem como autores os estados de New York, Massachusetts, Washington, Connecticut, Delaware, Distrito de Columbia, Havaí, Illinois, Iowa, Novo México, Carolina do Norte, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont e Virgínia.

Como justificativa para entrar com processo, os estados alegam que a decisão de Trump seria mais uma “perseguição” aos mexicanos. Em declaração anterior, Trump referiu-se a alguns imigrantes mexicanos como estupradores e “perdoou” o ex-xerife do Arizona Joe Arpaio, condenado por desacato por ignorar uma ordem judicial federal para impedir patrulhas de trânsito que visavam imigrantes.

“O fim da DACA, cujos participantes são principalmente de origem mexicana, é o ponto culminante dos compromissos declarados do presidente Trump, quer sejam de fato realizados, devem punir e desprezar pessoas com raízes mexicanas”, descreve o processo em tribunal federal no Brooklyn.

De acordo com o plano anunciado pelo procurador-geral Jeff Sessions, a administração atual não vai considerar novos pedidos datados depois do dia 5 de setembro, mas permitirá que todos os beneficiários do programa cujo prazo de expiração seja antes de 5 de março de 2018, a oportunidade de solicitar a renovação por mais dois anos. O prazo para entrar com pedido de renovação é até 5 de outubro de 2017.

Na última quarta-feira, 6, o presidente Donald Trump negou que lamentasse sua decisão, mesmo depois de se comprometer a “revisar” o assunto caso o Congresso não desenvolva uma solução própria.

O presidente da Câmara, Paul D. Ryan, disse também na quarta-feira que os 800 mil jovens imigrantes podem “ficar tranquilos” porque o Congresso tomará medidas para permitir que eles permaneçam nos Estados Unidos.

Brasileiros no DACA

O consulado do Brasil em Houston estima que mais de 5 mil brasileiros participem do programa, mas esse número deve ser bem maior uma vez que nem todos falam que estão no programa.

Para a advogada de imigração, Flavia Rocha Moody, “infelizmente, o futuro desses jovens é incerto. Se o congresso e o senado não passarem uma lei antes de o programa expirar por completo, todos eles estarão sujeitos à deportação”, explicou.

A advogada lembra ainda que, o congresso americano já tentou passar leis a respeito outras vezes, mas não obteve sucesso. “Faz mais de uma década que republicanos e democratas estão num impasse a respeito da reforma imigratória – incluindo o que fazer com os ´dreamers´. Como esses jovens entraram no país ainda na infância, não tiveram escolha. A imigração de seu país de origem foi involuntária, portanto eles serão punidos por um erro cometido por terceiros (no caso, pais ou familiares responsáveis pela saída)”, declarou.

“Dreamers” brasileiros

A paraense Emilly de Souza, 21 anos, inscrita no DACA há quase 5 anos. teme o fim do programa. Foto: arquivo pessoal.

A paraense Emilly de Souza, 21 anos, inscrita no DACA há quase 5 anos, considera o programa uma das melhores coisas que já foi feita pelos jovens imigrantes nos Estados Unidos e vê seu encerramento como um pesadelo e um retrocesso. “Com o DACA, não somente eu, mas vários outros jovens, podemos pensar em ter uma carreira e uma vida melhor nos Estados Unidos. O fim dele é um pesadelo pra nós porque agora vamos ter que praticamente recomeçar do zero. Tudo o que já conquistamos até aqui, como por exemplo, os cursos e os direitos, vamos perder”, relata. A jovem está no segundo ano do curso de Criminal Justice na Banker Hill Community College em Charlestown (MA) e diz que conseguiu o estudo graças ao programa.

Emilly trabalha atualmente como babysitter para duas famílias e relata que só pode pensar em estudar depois que foi aceita no programa e através dele conseguiu tirar o Social Security e a carteira de motorista para trabalhar. “Sem o programa eu não teria conseguido esses documentos que me ajudaram bastante a poder conseguir um trabalho para poder pagar um curso e pensar em uma carreira”, afirma.

Como ela renovou sua inscrição no programa em março, deverá ficar coberta por mais dois anos. “Depois disso não sei o que fazer. Tem alguns amigos que estão pensando em voltar para o Brasil. Eu queria mesmo poder me formar e ter uma carreira aqui”, declara.

Outro brasileiro “dreamer” é o Thiago, de 28 anos, que mora em Lauderhill (FL) e ajudou até a comprar a casa onde mora com os pais por causa do trabalho e crédito que conseguiu graças ao programa. Thiago foi um dos primeiros a receber autorização para o DACA. Inscrito desde novembro de 2012, assim que Obama assinou a ordem executiva, o jovem realizou sonhos que não conseguiria como imigrante.

Com informações da ABC News.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
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